Se por um lado a incidência de chuvas é comemorada em razão da elevação do nível das represas que compõem o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), por outro ela é motivo de prejuízos para produtores agrícolas da região. A situação ilustra uma realidade bem diferente da registrada no ano passado, quando o problema era justamente a seca.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Empregados Rurais de Mogi das Cruzes e Região, Benedito de Almeida, o número de reclamações dos agricultores que estão sofrendo com o excesso de pluviometria começou a crescer nos últimos 15 dias. "Ainda não contabilizamos todos os prejuízos, mas temos ouvido os produtores e as queixas já começam", disse.
Segundo Almeida, o problema afeta não apenas as produções em fase de colheita. "Geralmente os mais prejudicados são os produtores de folhosas, já que elas são mais sensíveis a essas variações climáticas. Mas o prejuízo não ocorre apenas para quem já está com o produto pronto. Por conta do grande volume de água, o solo fica encharcado, os trabalhadores não conseguem preparar a terra, adubar. Ficam sem produzir. Então se continuar assim, muita gente será atingida".
De acordo com o presidente do sindicato, "quando se tem uma baixa produção, os dois extremos são os mais prejudicados. O produtor porque produz pouco e vende barato, pois as verduras não estão tão boas e o consumidor porque paga mais caro por algo que não tem tanta qualidade. Então, acredito que não vá demorar muito para que os preços comecem a subir nos mercados", avaliou.
Entre os agricultores prejudicados está Otávio Hirouyuki Harano, produtor de hortaliças de Biritiba Mirim. "A gente já vem sentindo os efeitos, mas por enquanto ainda em uma proporção pequena. A dificuldade é porque não conseguimos fazer a preparação da terra para iniciar a produção e se demorar muito isso vai acabar interferindo no ciclo e aí o prejuízo vem mais para frente", concluiu.