Vereadores da Câmara de Itaquaquecetuba se reunirão hoje para discutir de que forma irão agir e cobrar uma solução para que se evite novos danos ambientais com o descarte irregular de lixo no aterro já interditado da Pajoan. Após decisões da Justiça, o local teve sua interdição reforçada ontem pelo Ministério Público, já que uma nova explosão de lixo no empreendimento não é descartada pelo órgão.
Conforme o Dat apurou com a Comissão de Meio Ambiente da Câmara, os vereadores que integram o grupo e outros das demais comissões se reunirão hoje para discutir o assunto e em seguida definir qual estratégia será adotada diante do caso.
Já a Prefeitura de Itaquá informou que realiza vigilância permanente no aterro do empresário José Cardoso Filho, o Zé Cardoso, e que aguarda a orientação por parte do Ministério Público sobre quais serão os próximos procedimentos definidos pela Promotoria. Na manhã da última quarta-feira, a administração colaborou com a determinação da Justiça de reforço da interdição física e instalou grandes blocos de concreto em frente aos portões de acesso ao espaço pela avenida Nossa Senhora das Graças e pela estrada do Ribeiro.
De acordo com a promotora de Justiça de Itaquá, Daniela Vidal Milioni Gonçalves, a interdição foi determinada por dois juízes e inclui ainda a entrada para uma área aterrada na estrada do São Bento, também de propriedade de Cardoso. "São duas decisões distintas, referentes a essas duas áreas. No terreno onde funcionou o aterro e a interdição é de toda a extensão. A Cetesb e o Caex, órgão técnico do Ministério Público, vistoriaram o local no final de 2015 e constataram que existe o risco de uma nova explosão e desabamento do lixo aterrado", explicou.
Segundo ela, o chorume deveria ter sido retirado do terreno, o que não aconteceu. "O proprietário diz que está fazendo a recuperação da área, mas esse trabalho precisa de um projeto aprovado pela Cetesb e ele não tem isso. Nós recebemos reclamações diárias de vizinhos, que relatam a entrada de caminhões com lixo no aterro. A situação é grave".
A promotora informou que a prefeitura constatou a entrada de caminhões no local e determinou a interdição da área. "Como nenhuma dessas determinações foi cumprida, o MP solicitou ao juiz a interdição física. Sabemos que os bloqueios existentes são violados de todas as formas, inclusive durante as madrugadas. Dessa vez, foi tudo fechado novamente e o José Cardoso poderá responder criminalmente", completou Daniela.