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A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Suzano vai intensificar as ações de abordagem aos moradores de rua durante o período de frio. Essa é a estação mais crítica para quem não tem abrigo permanente. Nos próximos dias, a pasta lançará uma campanha para sensibilizar a população que vive nas ruas.
O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) tem um cadastro com cerca de 200 moradores de rua, no entanto, a secretária Leonice Ramos Ferreira destaca que não significa que todas essas pessoas estão em Suzano. "O público de rua é itinerante. Nem todos pertencem a cidade. Eles chegam, mas depois vão para outros municípios de outra região", explicou.
Leonice disse que muitos dos sem-teto retirados das ruas são atendidos pelo Cras. "Esse também é um órgão de referência para esse público, onde temos técnicos e educadores sociais, que acabam fazendo o trabalho de abordagem. O serviço é realizado in loco mesmo, nas ruas", explicou. Esses profissionais identificam as pessoas, realizam o encaminhamento para o acolhimento e, em alguns casos, conseguem buscar até a inserção familiar.
A secretária ainda lembrou que o maior desafio é manter os moradores de rua dentro do local de acolhimento. "Quando encaminhamos essas pessoas para o abrigo, verificamos que elas não permanecem, ficam apenas dois dias, pois existe um vínculo forte com a rua. O fato de alguns terem transtorno mental ou vício em drogas faz com que não fiquem no abrigo, até porque lá dentro não tem como consumir drogas", destacou.
A pasta, inclusive, tem um convênio com a Cáritas Paroquial de Suzano, que é o Centro Social Bom Samaritano. A entidade recebe R$ 42 mil da Secretaria de Assistência Social para fazer o atendimento a 50 pessoas em situação de rua. "Não significa que há 50 pessoas fixas, por causa desse público que é itinerante", lembrou a titular.
Com as quedas nas temperaturas, algumas entidades se sensibilizam com a situação de vulnerabilidade dos mendigos, mas a titular da Assistência Social destaca o fato de essas ações incentivarem a permanência desse público nas ruas. "Estamos na tentativa de sensibilizar a população em relação à alimentação. Muitos segmentos acabam fornecendo comida. A gente sabe que tem a linha da benevolência, mas isso estimula a permanência nas ruas. Quando encaminhamos para o abrigo, eles ficam dois dias e saem, porque sabem que terão os benefícios, sem contar a questão do acesso mais fácil às drogas", afirmou.
Quando os moradores de rua são levados ao abrigo, a Assistência Social tenta fazer contato com as famílias para que os vínculos possam ser retomados. "Temos profissionais que tentam contato para fazer a reinserção familiar ou o recâmbio qualificado.", detalhou. "Pode acontecer de a pessoa estar no município de Suzano, mas quer retornar a sua cidade de origem".