O Partido da República (PR) veiculou na noite de anteontem, por mais de quatro vezes, uma propaganda política de 30 segundos atacando o ex-deputado federal e pré-candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, Junji Abe (PSD). A legenda, que possui um de seus caciques políticos, o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, o Boy, envolvido no escândalo do mensalão, utiliza nas imagens informações de um processo que ainda não foi julgado e questiona o valor pago pelo ex-prefeito por refeições oferecidas a crianças internadas quando ele ainda era prefeito do município.
Na propaganda, o PR afirma que houve má gestão dos recursos públicos e que a meta é acabar com essa prática. Nas imagens, a locutora do partido afirma que o Ministério Público processou o político por superfaturamento na compra de comida para crianças internadas, onde uma refeição, que sairia pelo preço de
R$ 27 era comprada por R$ 127, o que acabou determinando o bloqueio dos bens de Junji pelo Tribunal de Justiça.
O ex-prefeito foi procurado pelo Mogi News e se defendeu dos ataques que enfrentou. O político afirmou não ser novidade em sua vida sofrer acusações e disse que até o momento nunca sofreu uma condenação consumada, "bem como nunca ter agido de maneira a prejudicar a população e nem os cofres públicos e muito menos ter enriquecido às custas do dinheiro público". Vale lembrar que Costa Neto, ex-presidente do PR, já foi condenado por esse tipo de crime. Ele ficou mais de dois anos preso após receber pena de sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Junji afirmou ainda ser ficha limpa. "Tem acusação tão injusta que compara o preço de uma única refeição com o valor total da alimentação de um dia inteiro, fornecida para a mãe e para o acompanhante. Isso dá, no mínimo, oito refeições. Quem denuncia superfaturamento, não conta que o preço era para, no mínimo, oito refeições. E não para uma", justificou, ao se referir ao processo mencionado na propaganda.
Ele ainda destacou a demora para que as acusações sejam esclarecidas. "Tenho absoluta certeza de que as investigações mostrarão com quem está a verdade. E a verdade é que não cometi crime algum. Sou mogiano e tenho uma história com Mogi. Entendo que não mereço uma condenação antecipada, sem julgamento".
O pré-candidato a prefeito finalizou dizendo que seus "advogados estão analisando o caso para tomar as providências cabíveis quanto à propaganda."