E começou o governo ainda de caráter provisório. No primeiro pronunciamento na condição de presidente interino, Michel Temer (PMDB) enfatizou a necessidade de diálogo e a união do povo brasileiro e de todos os poderes para garantir a governabilidade. Ele também estabeleceu quatro prioridades para seu governo: recuperar a economia; restaurar a relação com o Congresso; equilibrar a relação entre União e Estado; e mudar a cultura política do País.
Não são desafios fáceis. No caso da recuperação econômica, a busca dessa meta pressupõe o equilíbrio das contas públicas. O País precisa gastar menos do que arrecada. Isso é possível com a redução de gastos ou com o aumento da receita (impostos) ou com a combinação das duas ações. O aumento de imposto - no caso a principal proposta é o retorno da CPMF - é uma ação que deverá encontrar muita resistência em vários setores da sociedade, inclusive no congresso. Resta então o controle dos gastos, em um momento que é necessário investir para reaquecer a economia. Muito provavelmente os cortes irão atingir mais as áreas sociais, penalizando justamente os segmentos mais sofridos da população.
Outra área é a Previdência Social que, junto com benefícios assistenciais, consome mais de 50% dos gastos primários da União. O próprio Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles tem defendido a reforma da Previdência. Por mais que exista um grande número de especialistas que defendem a revisão das regras previdenciárias, Temer enfrentará muitas dificuldades para aprovar tais mudanças no Congresso. Deverá enfrentar forte oposição dos partidos de esquerda, bem como de parte de sua base política.
Todo aquele que assume um cargo executivo sempre tem dois trunfos importantes. A força dos votos conquistados na eleição e, mesmo em uma reeleição ou na eleição de alguém apoiado porque está deixando o poder, a expectativa da novidade. Temer não tem nenhum dos dois.
Ele vai conviver com parte da população mobilizada nas ruas como já vem ocorrendo. Se não conseguir um rápido êxito, mesmo que parcial, na recuperação da economia, Temer poderá ficar fragilizado diante de movimentos sociais e oposicionistas no Congresso.