A abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará denúncias de irregularidades no fornecimento de merenda escolar por meio de contratos firmados por cooperativas de agricultura familiar com o governo do Estado e municípios paulistas deve ser votada em dez dias na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp),
Segundo o deputado Estevam Galvão (DEM), autor do requerimento que solicita a abertura da comissão, no total, o documento já apresenta mais de 80 assinaturas, sendo que são necessárias 32 para instauração do processo de investigação.
Estevam reforçou ainda que a Assembleia já contava com uma CPI aberta pelo PT, mas que não teve andamento por investigar apenas o governo do Estado. "O intuito era só esse, mas nós estamos propondo uma investigação mais ampla, honesta e transparente e que punirá qualquer pessoa, independentemente de quem seja, que estiver envolvida nesse processo".
O parlamentar destacou que o trabalho de apuração incluirá os municípios que também compram merenda para os seus alunos da rede municipal. "Temos que incluir todos os envolvidos. A ideia é ouvir aqueles que já foram citados e quem a comissão julgar necessário".
Ocupação
A pressão feita por alunos, que ocuparam o plenário da Alesp por dois dias colaborou com a decisão do deputado, ao lado de outros parlamentares, em apresentar a criação da CPI. "Já estávamos discutindo esse assunto antes da ocupação, mas o ato colaborou, sim, para que o processo fosse acelerado".
Apesar de defender manifestações democráticas, o parlamentar não concorda com as ocupações feitas na Alesp e no prédio administrativo do Centro Paula Souza. "Estamos vivendo um novo momento da democracia, com a participação efetiva da população, mas é importante que se tenha claro o que está sendo reivindicado. Hoje as ocupações são feitas de forma desmedida. Acredito que seja possível mostrar suas ideias e necessidades sem isso", concluiu.