Imóveis abandonados e obras com proteção inadequada podem oferecer vários tipos de ameaças à segurança das pessoas, alertou a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Suzano (AEAAS). A entidade destacou a importância da fiscalização, por parte do Poder Público, para evitar o acúmulo de materiais que podem se desprender e até atingir alguém.
O engenheiro civil e diretor da AEAAS Gérsio Ignacio avaliou a situação atual de alguns imóveis e construções na cidade como perigosa. "Tem que existir fiscalização da prefeitura. Pode haver prédios com madeiramento exposto ou equipamentos e utensílios que podem se desprender e cair em cima de algum pedestre, por exemplo", alertou.
Há cerca de cinco anos, uma pessoa morreu quando passava em frente a uma obra no centro no momento em que um material caiu sobre ela. O caso foi lembrado pelo engenheiro, que também destacou o acidente envolvendo a queda do muro da antiga fábrica Peles Polo Norte, na rua Dr. Felício de Camargo, que deixou uma vítima fatal, na semana passada.
"Aparentemente, aquela estrutura não oferecia risco de queda, mas a responsabilidade seria dos proprietários e da prefeitura. Faltou manutenção e uma análise cautelosa no local", observou o profissional.
Ignacio também alertou para risco de acidentes dentro de imóveis abandonados. "Se houver moradores de rua se abrigando nesses locais, há o risco de se machucarem, com cacos de vidro ou então com uma telha que pode cair, por exemplo".
Para a associação, uma maneira de prevenção é o mapeamento de imóveis antigos ou construções inacabadas que estão em situação de abandono, até para saber quais oferecem riscos. Desta forma, o município poderia ter controle e exigir dos proprietários um laudo que garanta a segurança. "A prefeitura exigindo o laudo desses imóveis também é uma forma de se resguardar no caso de um possível acidente", explicou.
Tapumes
Em relação às construções, Ignacio ressaltou a necessidade de atenção para garantir a segurança aos pedestres. Um exemplo disso é a instalação de tapumes para cercar obras e manter uma distância para que seja possível evitar que ocorra algum tipo de incidente na calçada ou na via pública.
No entanto, segundo o profissional, pouco adiantará se o material utilizado para delimitar o canteiro não for de boa qualidade e se não for colocado de maneira adequada para que se mantenha firme e não tombe durante uma forte chuva ou ventania, por exemplo.
Marquises
Além das obras e dos imóveis em situação de abandono, o engenheiro lembrou que há muitos prédios em Suzano que têm marquises de concreto e estão ativos. "É perceptível que a cidade tem marquises em prédios antigos. Nesses casos também são necessárias a manutenção e a fiscalização para garantir a segurança", afirmou.
O jornal entrou em contato com a Prefeitura de Suzano para saber quantos prédios estão em situação de abandono na cidade, mas a administração municipal não informou os dados nem se realiza um trabalho de mapeamento.
A reportagem também questionou sobre as ações preventivas que são feitas no município e como funciona o sistema de fiscalização. No entanto, a prefeitura só informou que no caso das áreas particulares que apresentem infrações os proprietário são notificados a fazer a limpeza da área e o fechamento adequado.