Em quatro anos, os moradores de Mogi das Cruzes passaram a produzir 8,4% mais lixo. Em 2015, o município gerou 117.391,11 toneladas de lixo, enquanto que em 2012, este volume era de 108.265,12 toneladas. O percentual segue o crescimento da população da cidade, que há quatro anos tinha 396.468 habitantes e, em 2015, contava com 424.633 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com um crescimento médio de 2% ao ano, a situação preocupa a longo prazo.
Enquanto a produção de lixo aumentou na cidade, o índice de reciclagem também sofreu um salto exponencial nos últimos quatro anos. A cidade saiu da casa de 1.411,76 tonelada reciclada em 2012, para 2.113,04 toneladas em 2015, o que representa um crescimento de 49%. Para o presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Urbanismo da Câmara de Mogi, o vereador Juliano Abe (PSD), "reduzir, reutilizar e reciclar" são os passos para criar uma Mogi sustentável.
Para Abe, a cidade já deve começar a pensar em formas eficientes para a destinação de resíduos sólidos. "Vejo que o futuro da nossa cidade passa, diretamente, pela gestão de resíduos. O volume (de lixo) mostra a necessidade de incrementarmos, cada vez mais, formas de reduzir a quantidade de resíduos gerados, reutilizar ou reciclá-lo e, talvez um dia, pensarmos em uma forma de tratamento", destacou.
Em 2015, cada mogiano foi responsável por produzir pouco mais de 276 quilos de lixo. De acordo com Abe, cada tonelada de resíduos tem um custo de R$ 120 para ser transportada para aterros sanitários. "O aumento da quantidade de resíduo tende, obviamente, a onerar o transporte deste lixo", acrescentou.
Uma das formas apontadas pelo presidente, e que já foi amplamente debatida no município, é a criação de uma usina de incineração de lixo. Abe lembrou que, em 2013, a Câmara Municipal criou uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para debater o assunto. "A usina geraria energia elétrica ou vapor, por meio da incineração dos resíduos. Na época, muitas preocupações surgiram em decorrência das emissões atmosféricas, geradas pela queima do lixo, mas fica muito claro que os países de primeiro mundo, que detêm essa tecnologia, comprovam que essas emissões são ínfimas", ressaltou.
Segundo Abe, é preciso pensar que a capacidade dos aterros sanitários é finita e que novas alternativas precisa ser propostas. A criação de uma usina, por exemplo, geraria a queda drástica do volume de lixo gerado, reduziria o gasto com transporte e seria uma nova alternativa de geração de energia. "Próximo da Semana do Meio Ambiente (celebrada em junho) precisamos nos conscientizar da importância de gerir adequadamente os resíduos. Isto passa pela redução, reutilização, reciclagem e, então, podemos pensar em jogar fora aquilo que é inútil", reforçou.