Amanhã completam dez anos dos primeiros ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que aterrorizaram o Estado de São Paulo. Durante oito dias, entre 12 e 20 de maio de 2006, os paulistas viveram com medo de sair às ruas, pois uma guerra entre polícia e bandido tomava conta. O número de mortos (incluindo policiais) em tiroteios surpreendia e em cada bairro um ônibus era incendiado para amedrontar a população e afrontar a segurança pública. A região não foi mera coadjuvante nesta história, talvez tenha sido até mesmo protagonista.
Dois meses antes dos ataques, um caso ocorrido em Suzano pode ter sido o estopim para o aumento da violência. Em uma feira, no Miguel Badra, homens mataram policiais e parentes de policiais da cidade. O crime chocou o município e as demais cidades do Alto Tietê e, a partir daquele momento, o clima era de medo. Dias depois, a delegacia central de Suzano foi atingida por diversos disparos de armas de fogo. As marcas desse atentado estavam no local até pouco tempo atrás.
Os motivos dos ataques do PCC em todo o Estado são variados e uma das versões é a de que havia uma ligação entre as ações da facção com a prisão de criminosos em Suzano. A verdade é que apesar das investigações feitas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), muitos boatos ainda surgem de tempos em tempos.
Ontem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou um pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a Polícia Federal investigue uma chacina ocorrida na zona sul de São Paulo durante a onda de violência em maio de 2006. Na ocasião, cinco jovens foram atacados por um grupo de homens encapuzados no Parque Bristol. Três morreram na hora e um dos sobreviventes foi morto seis meses depois. O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo pela ausência de provas.
Após dez anos, as memórias dos crimes voltam à tona e arquivos podem ser reabertos pela Justiça. Por sorte, o Brasil não enfrentou mais um ato criminoso parecido com aquele. Infelizmente, o PCC não acabou, mas devido às ocorrências apresentadas pela polícia, o número de integrantes diminuiu, sendo que a maioria dos grandes chefes estão presos ou morreram em confrontos com a polícia.
O Mogi News publicou diversas reportagens sobre os ataques de 2006 e o que ficou marcado na época foi a falta de informações oficiais sobre as ocorrências. Hoje, falam até em 600 mortos só em maio daquele ano. O caso talvez era ainda mais grave do que imaginávamos.