Celebrado hoje, o Dia da Indústria homenageia o setor de produção de maior representatividade para a economia nacional. Neste ano, as indústrias enfrentam momentos de dificuldade para manter as máquinas funcionando e os trabalhadores empregados.
Entretanto, para o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Alto Tietê, José Francisco Caseiro, com o novo governo as próximas noticias podem ser positivas.
Em entrevista, Caseiro destaca um setor que está otimista e na expectativa por novas medidas econômicas e políticas. Ainda segundo ele, embora o período seja difícil, o segmento continua buscando sempre melhorias, qualificações e diferenciais no mercado.
Diário do Alto Tietê: Qual a expectativa em relação a esse novo governo? O setor industrial está otimista? 
José Francisco Caseiro: A situação que o Brasil vinha enfrentando era insustentável, então, a mudança no governo trouxe boas perspectivas para a retomada da confiança. O setor produtivo está otimista mas, principalmente, está na expectativa das medidas que serão anunciadas, pois, só sabendo quais são, será possível avaliar os impactos que vão gerar e projetar um prazo, para que os resultados comecem a acontecer. A recuperação não vai ser de uma hora para outra, mas as mudanças precisam acontecer. Sabemos também que precisarão ser medidas bruscas e temos de estar preparados para isso. Só não vamos aceitar que novos impostos sejam criados.
Dat: Exportar pode ser um caminho bom para os empresários nesse momento de crise?
Caseiro: Sem dúvida, a busca de novos mercados é uma das saídas para a sobrevivência. Com a retração na demanda interna e a valorização do dólar, a exportação é uma excelente alternativa para as empresas escoarem suas produções e se manterem ativas no mercado. Temos visto na região uma grande movimentação das indústrias para ampliar as vendas externas e muitas, inclusive, estão investindo, pela primeira vez, no mercado global, o que é muito positivo para reduzir a dependência interna. O resultado é que, no primeiro trimestre deste ano, o Alto Tietê ampliou em quase 10% o volume de exportações, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Dat: Como o senhor avalia o setor industrial hoje na região do Alto Tietê?
Caseiro: A indústria enfrenta a pior crise da sua história, resultado de um conjunto de fatores que vieram, desde 2014, minando a atividade produtiva, como juros altos, restrição de crédito, desvalorização da moeda e aumento de impostos, entre outros que contribuíram para um desaquecimento do consumo interno. Com a demanda reduzida, as indústrias tiveram de colocar um freio na produção e a piora do quadro, mês a mês, levou a situação que todos sabem: demissões. No caso da região, que tem forte predominância do setor metalúrgico, que é um dos mais afetados, houve uma retração de quase 15% do nível de emprego nos últimos 12 meses. Em números reais, isso significa que 10 mil pessoas perderam o emprego na indústria. O reflexo social disso é significativo, principalmente porque o setor paga os melhores salários. A situação no Alto Tietê só não é mais grave, porque as indústrias são bastantes diversificadas e alguns setores estão se saindo melhor no momento, como é o caso daqueles que trabalham com o mercado externo e têm sido favorecidos pela desvalorização do real, frente ao dólar. 
Dat: A região está preparada para receber novos polos industriais?
Caseiro: O Alto Tietê tem potencial para ganhar novos polos industriais, principalmente por conta da sua logística privilegiada e, agora, com o Rodoanel, que é um grande indutor de desenvolvimento. Defendo, porém, que antes mesmo da criação de novos polos, sejam feitos investimentos para as melhorias dos já existentes e que podem expandir, desde que recebam infraestrutura. O melhor exemplo disso é o Distrito Industrial do Taboão, que tem uma área imensa a ser ocupada pelas indústrias, mas carece de infraestrutura básica e de melhoria nos acessos viários. O Ciesp insiste na necessidade da criação de um acesso da rodovia Ayrton Senna para o Taboão, o que facilitará muito a vinda de novas empresas. A região também deve investir num parque tecnológico, aproveitando as instituições de ensino.
Dat: O Alto Tietê tem hoje uma política eficiente para atrair novos empresários?
Caseiro: As administrações municipais têm procurado desenvolver políticas de incentivo para a atração de empresas, mas ainda há muito o que melhorar para que novas se instalem e as que já estão em atividade possam expandir. Quando se fala em política, não podemos resumir se só há incentivos fiscais, mas também na melhoria da infraestrutura dos polos industriais e na solução de problemas que afetam o setor. Um exemplo do que precisa ser aprimorado é a cobrança da taxa de iluminação, implantada em alguns municípios. Há casos que precisam ser revistos, com a criação de tetos de cobrança, para que a indústria não tenha a sua atividade ainda mais comprometida. O Ciesp tem feito um trabalho próximo às prefeituras para melhorar o atendimento ao setor industrial, que é o principal gerador de tributos para as cidades e um dos grandes empregadores.
Dat: Sobre o Dia da Industria e os motivos de comemoração.
Caseiro: O momento não é dos melhores. A indústria é uma das principais engrenagens do motor da economia e é desta forma que precisa ser enxergada. Ainda que a situação atual não permita comemorações, não podemos menosprezar o papel da indústria, que mesmo com dificuldades busca sempre o incremento tecnológico, a qualificação da mão de obra e diferenciais de mercado. Temos indústrias na nossa região que são referência no mercado interno e global. Não é a primeira crise que enfrentamos e é preciso unir forças para enfrentá-la e tirar lições, que sirvam para o crescimento da atividade futuramente.
* Texto sob supervisão do editor.