A Unicef advertiu num relatório que até 23,4 milhões de crianças poderão ficar em situação de pobreza até ao fim do ano, devido à diminuição dos rendimentos e em consequência do impacto econômico da guerra no Médio Oriente.  O documento, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na quarta-feira (15) é elaborado com base em dados de mais de 167 países, indica que o aumento dos preços dos alimentos e da energia, juntamente com o enfraquecimento da atividade econômica, "ameaça reverter anos de progressos na redução da pobreza infantil e ampliar as desigualdades". O estudo analisa a chamada pobreza monetária, isto é, a situação de quem vive em lares com rendimentos abaixo dos limiares de pobreza definidos internacionalmente, que variam consoante o nível de rendimento de cada país. Num cenário "adverso", cerca de 18,3 milhões de menores ficarão em situação de pobreza este ano. Num cenário "grave", que contempla um prolongamento ou intensificação do conflito, o número sobe para 23,4 milhões. "A infância está a pagar o preço da escalada do conflito no Médio Oriente, incluindo crianças que vivem longe dessa região", afirmou em comunicado a diretora-executiva da Unicef, Catherine Russell. Segundo Russell, o aumento do custo de vida vai tornar "alimentos e educação inacessíveis para muitas famílias", enquanto os menores já em situação de pobreza enfrentam "privações cada vez mais profundas, com consequências que podem prolongar por toda a vida". A Unicef considerou que o encarecimento dos alimentos e da energia, aliado ao reduzido espaço fiscal de muitos países limita a capacidade dos lares para satisfazer necessidades básicas. O relatório indicou que cerca de 80% do aumento previsto da pobreza infantil concentrará na Ásia e sobretudo em África, "regiões que já registram elevados níveis de pobreza e maior vulnerabilidade externas". Entre os exemplos citados está a Somália, onde os preços dos combustíveis duplicaram poucos dias após a escalada do conflito em fevereiro, elevando também o custo da água, dos alimentos e das operações humanitárias. Na Etiópia, as interrupções ligadas ao Estreito de Ormuz elevaram em 31% o preço do gás e entre 50% e 70% o custo do combustível utilizado em operações humanitárias. Segundo a Unicef, sem medidas urgentes "milhões de crianças ficarão ainda mais para trás", dificultando a recuperação dos avanços em desenvolvimento. Por fim, a organização apelou a governos, países doadores e instituições financeiras para que "protejam o financiamento de serviços essenciais" como saúde, nutrição, educação e proteção infantil. A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) pede também acesso "a bens e serviços básicos, aumentando o espaço fiscal dos países mais vulneráveis por meio de medidas como a suspensão ou reestruturação da dívida, e reforçando os sistemas de resposta para proteger a infância perante futuras crises". É proibida a reprodução deste conteúdo   Relacionadas Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida Terremoto: 680 mil crianças venezuelanas precisam de ajuda, diz Unicef Unicef mobiliza jovens de 16 e 17 anos a tirar título de eleitor