As Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos Estados Unidos (EUA) em países vizinhos no Golfo Pérsico nesta quinta-feira (9), após ataques norte-americanos às províncias costeiras do sul e do leste do país, colocando ainda mais pressão sobre o acordo de cessar-fogo. O Irã também se preparava hoje para enterrar seu líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, no santuário mais sagrado do país, em Mashhad, ponto alto de uma semana de cortejos fúnebres em massa e manifestações. Khamenei foi morto em um ataque aéreo dos EUA no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro. A Força Aérea do Irã está operando jatos MiG-29 para “proteger os céus sobre o cortejo fúnebre” em Mashhad, que fica no nordeste do país, informou a agência de notícias Fars. Os preços do petróleo, que haviam disparado em meio a preocupações com o impacto dos novos ataques sobre o abastecimento global, recuaram nesta quinta-feira, à medida que investidores avaliavam se a escalada era tática e temporária ou se pode prenunciar um colapso total do cessar-fogo. As Forças Armadas dos EUA afirmaram ontem que seus últimos ataques ao Irã tinham como objetivo manter o Estreito de Ormuz aberto, após afirmarem que forças iranianas haviam atacado três petroleiros na região. O ataque ocorreu horas depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, disse acreditar que o cessar-fogo provisório com o Irã estava “acabado”. Autoridades iranianas afirmaram que os ataques dos EUA mataram 14 pessoas e feriram 78 em cinco províncias nos dias 8 e 9 de julho, segundo a mídia estatal. A agência Fars informou que um dos ataques atingiu uma ponte ferroviária usada para o comércio com a Rússia e a China. Várias explosões foram ouvidas na manhã de hoje na província iraniana de Bushehr e em Bandar Abbas, uma cidade portuária no Estreito de Ormuz, na costa sul do Irã, informou a agência de notícias semioficial Mehr. Bushehr abriga uma usina nuclear construída pela Rússia, e uma autoridade local informou posteriormente à mídia estatal que um projétil dos EUA havia atingido a área do perímetro da instalação. O local já havia sido atingido várias vezes durante o atual conflito, antes do cessar-fogo de 8 de abril. Os ataques dos EUA também atingiram uma instalação militar e um cais de pesca na província de Bushehr, disse o vice-governador da província, embora não tenham sido registradas vítimas. Ataques a instalações militares O Exército iraniano afirmou, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que havia lançado ataques contra sistemas Patriot dos EUA com drones no Kuwait, contra uma instalação de alerta antecipado no Catar (antena de satélite) e contra um depósito de combustível do Exército norte-americano no Barein. O Kuwait informou que suas Forças Armadas enfrentaram um míssil de cruzeiro, três mísseis balísticos e dez drones em seu espaço aéreo, e que uma pessoa ficou ferida pela queda de estilhaços. Sirenes também soaram hoje na Jordânia, após mísseis lançados do Irã terem sido detectados no espaço aéreo jordaniano, informou a agência de notícias estatal, citando o porta-voz do governo. Oito mísseis foram interceptados, sem que fossem registrados feridos ou danos, acrescentou a agência. O Catar, que abriga a maior base militar dos EUA na região e frequentemente atua como mediador entre Washington e seus adversários, incluindo Teerã, pediu o retorno à diplomacia. Em ligação telefônica ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, também condenou os ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques aos navios, analistas afirmam que Teerã utiliza essas ações para ganhar vantagem nas negociações. O Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Desde então, Teerã assumiu o controle efetivo do estreito, o que lhe permitiu forçar um impasse em seu confronto com a força militar mais poderosa do mundo. “Os EUA ainda precisam aprender que intimidação e descumprimento de seus compromissos não passam mais sem consequências. Deixe-me ser claro: se vocês atacarem, serão alvo de contra-ataque”, escreveu o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, no X. “O Estreito de Ormuz só será reaberto sob os termos do Irã, e não por meio de ameaças dos EUA", acrescentou. Retaliação O Comando Central dos EUA informou ontema que suas forças atacaram aproximadamente 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, recursos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, recursos navais e infraestrutura logística militar ao longo da costa do Irã. “Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegavam livremente por uma via navegável internacional vital”, afirmou o comando em comunicado. “Trata-se de uma retaliação ao bombardeio de navios pelo Irã ontem. Se isso acontecer novamente, a situação ficará muito pior!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. No entanto, o líder dos EUA, que participava de cúpula da Otan na Turquia, disse também não acreditar que os últimos ataques militares pudessem se transformar em conflito de grande escala com o Irã. “Tudo o que acontecer vai acabar muito rapidamente e só vai tornar a situação mais segura, inclusive para o petróleo”, disse ele a repórteres em Ancara. Relacionadas Forças dos EUA realizam novos ataques contra Irã Tensão no Golfo Pérsico ameaça acordo entre EUA e Irã