O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (18) que suspendeu um ataque que estava planejado contra o Irã para permitir negociações para um acordo que encerre a guerra dos EUA e Israel contra os iranianos, após o Irã enviar uma nova proposta de paz a Washington. "NÃO realizaremos o ataque programado contra o Irã amanhã, mas também os instruí [as Forças Armadas] a estarem preparadas para prosseguir com um ataque em grande escala contra o Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado". Pressionado a chegar a um acordo que permita a reabertura do Estreito de Ormuz e limite as consequências econômicas da guerra iniciada por ele em fevereiro, Trump já havia expressado a esperança de que um acordo para o fim da guerra estivesse próximo. Em uma publicação, o presidente dos EUA afirmou que os líderes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos pediram o adiamento do ataque, até então não divulgado, porque "um acordo será firmado, o qual será muito aceitável para os Estados Unidos da América, assim como para todos os países do Oriente Médio e de outras regiões". Irã entrega proposta O post de Trump ocorre após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmar que as opiniões de Teerã haviam sido "transmitidas ao lado americano por meio do Paquistão", sem entrar em detalhes. Uma fonte paquistanesa confirmou que Islamabad compartilhou a proposta mais recente com Washington. O Paquistão tem servido como mediador entre os lados em guerra no Oriente Médio desde que sediou a única rodada de negociações de paz, no mês passado. A fonte sugeriu, no entanto, que o progresso tem sido difícil. Os lados "continuam mudando suas regras do jogo", disse a fonte paquistanesa, acrescentando: "Não temos muito tempo". Semelhança Descrita por uma fonte iraniana de alto escalão, a proposta iraniana parecia semelhante em muitos aspectos à oferta anterior do país, rejeitada na semana passada por Trump, chamando-a de "lixo". O foco inicial seria garantir o fim da guerra, reabrir o Estreito de Ormuz – importante rota de transporte para o  abastecimento de petróleo – e suspender as sanções marítimas. Questões controversas em torno do programa nuclear iraniano e do enriquecimento de urânio seriam adiadas para rodadas posteriores de negociações, disse a fonte. No entanto, em uma aparente flexibilização da posição de Washington, a fonte iraniana afirmou que os Estados Unidos concordaram em liberar um quarto dos fundos iranianos congelados – totalizando dezenas de bilhões de dólares – mantidos em bancos estrangeiros. O Irã exige a liberação de todos os ativos. A fonte iraniana também afirmou que Washington demonstrou mais abertura ao concordar em permitir que o Irã continue algumas atividades nucleares pacíficas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os Estados Unidos não confirmaram ter chegado a um acordo sobre qualquer ponto das negociações. A agência de notícias iraniana Tasnim citou separadamente uma fonte não identificada dizendo que os EUA concordaram em suspender as sanções petrolíferas contra o Irã enquanto as negociações estiverem em andamento. Autoridades iranianas não comentaram imediatamente a reportagem da Tasnim, que, segundo um funcionário norte-americano que preferiu não ser identificado, era falsa. Cessar-fogo Um frágil cessar-fogo está em vigor após seis semanas de guerra que se seguiram aos ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã, embora drones tenham sido lançados do Iraque em direção a países do Golfo, incluindo Arábia Saudita e Kuweit, aparentemente pelo Irã e seus aliados. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão emitiu um comunicado nesta segunda-feira condenando um ataque com drones ocorrido no domingo (17), no qual a Arábia Saudita afirmou ter interceptado três drones que entraram no país vindos do espaço aéreo iraquiano. *É proibida a reprodução deste conteúdo   Relacionadas Dólar cai e fecha abaixo de R$ 5, após recuo de Trump no Irã Paquistão entrega aos EUA proposta revisada do Irã para fim da guerra