A mudança climática provocou incêndios recordes na África, na Ásia e em outros lugares neste ano, com a expectativa de que as condições piorem com a aproximação do verão no hemisfério norte e o início dos padrões climáticos do El Niño, alertaram os cientistas nesta terça-feira (12). Os incêndios de janeiro a abril já causaram danos sem precedentes, queimando mais de 150 milhões de hectares de terra, 20% a mais do que o recorde anterior, de acordo com dados do World Weather Attribution, grupo de pesquisa que estuda o papel desempenhado pelo aquecimento global em eventos climáticos extremos. Os pesquisadores disseram que os recordes de temperatura podem ser quebrados este ano, causando secas generalizadas e incêndios, com o impacto da mudança climática induzida pelo homem agravado por um efeito "El Niño" especialmente forte. "Embora em muitas partes do mundo a temporada global de incêndios ainda não tenha esquentado, esse início rápido, em combinação com a previsão do El Niño, significa que estamos diante da materialização de um ano particularmente severo", disse Theodore Keeping, especialista em incêndios florestais do Imperial College de Londres e parte do grupo WWA. Até agora, 85 milhões de hectares de terra foram queimados na África este ano, 23% a mais do que o recorde anterior de 69 milhões de hectares, informou. A atividade de incêndio excepcionalmente alta na África está sendo impulsionada por mudanças rápidas de condições extremamente úmidas para condições extremamente secas, segundo Keeping. O alto índice pluviométrico produziu mais grama durante a estação de crescimento anterior, criando uma abundância de combustível para alimentar os incêndios em savanas induzidos pela seca e pelo calor nos últimos meses. Condições de El Niño  Os incêndios asiáticos queimaram 44 milhões de hectares de terra até agora neste ano, quase 40% a mais do que o recorde anterior de 2014, com Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China entre os mais atingidos. Theodore Keeping alertou que os riscos de incêndios florestais podem piorar neste ano, com o El Niño aumentando a probabilidade de calor e seca severos na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na floresta amazônica. "A probabilidade de incêndios extremos prejudiciais pode ser a mais alta que já vimos na história recente se ocorrer um El Niño forte", declarou. As condições climáticas do El Niño, causadas pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico, devem começar em maio, informou a Organização Meteorológica Mundial no mês passado. Ele pode causar secas na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia, bem como inundações em outras regiões, e pode elevar as temperaturas, alertou a agência da ONU. "Se houver um El Niño forte este ano, há sério risco de que o efeito da mudança climática resulte em extremos sem precedentes", disse Friederike Otto, cientista do Imperial College de Londres e cofundadora da World Weather Attribution. *É proibida a reprodução deste conteúdo. Relacionadas El Niño deve retornar em maio com impacto no clima, diz agência da ONU Clima seco e frio predomina no centro do país; veja previsão do tempo