A Fifa deveria pressionar o governo dos Estados Unidos a estabelecer uma "trégua do ICE" para a Copa do Mundo deste ano, incluindo uma garantia pública das autoridades federais de não realizar operações de fiscalização de imigração nos jogos e nos locais de competição, disse a Human Rights Watch (HRW) em um relatório publicado nesta segunda-feira (27). A Copa do Mundo de 2026 - primeira edição do torneio global que contará com 48 equipes - será co-organizada pelos EUA, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho. O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) está na linha de frente da repressão à imigração e das deportações promovidas pelo governo do presidente Donald Trump. Grupos de direitos humanos condenaram a repressão, dizendo que ela levou a violações da liberdade de expressão e dos direitos do devido processo legal e criou um ambiente de insegurança, especialmente para as minorias. Trump considera suas ações necessárias para melhorar a segurança interna e conter a imigração ilegal. "A Fifa precisa agir com urgência para lidar com os riscos de abusos de direitos humanos para atletas, torcedores e trabalhadores", disse a HRW. "Uma coisa concreta que ela deve fazer é trabalhar para persuadir o governo Trump a estabelecer uma 'trégua do ICE'." "Gianni Infantino [presidente da Fifa] e seus pares da Fifa devem usar seu poder de influência para exigir que o governo Trump faça o que é certo para os jogos", acrescentou. A ideia foi extraída da "Trégua Olímpica", uma tradição que remonta à Grécia antiga, quando cidades-estado em guerra suspendiam as hostilidades para que atletas e espectadores pudessem viajar em segurança para os Jogos. "A Copa do Mundo da Fifa 2026 será, sem dúvida, um dos maiores e mais espetaculares eventos da história da humanidade, atraindo milhões de torcedores de todo o mundo para 11 cidades-sede nos Estados Unidos", disse o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, à Reuters. "Esse será um evento monumental que exige uma coordenação estreita entre o governo Trump, a Fifa e todos os nossos grandes parceiros federais, estaduais e locais." "O presidente Trump está focado em garantir que essa não seja apenas uma experiência incrível para todos os torcedores e visitantes, mas também a mais segura da história - e nenhuma quantidade de táticas ridículas de intimidação impulsionadas por grupos ativistas liberais e pela mídia de esquerda mudará isso." As preocupações se intensificaram na quinta-feira (23), quando grupos de defesa emitiram um aviso de viagem alertando viajantes a caminho dos EUA para a Copa do Mundo que podem enfrentar detenção arbitrária ou deportação, entre outras violações dos direitos humanos. Torcedores, jogadores, jornalistas e outros visitantes podem enfrentar perfilamento racial, revistas em dispositivos eletrônicos ou o risco de tratamento cruel ou desumano caso acabem em centros de detenção de imigração. Os alertas de quinta-feira (23) seguiram-se a uma declaração, em março, da Anistia Internacional segundo a qual o torneio está se distanciando do evento "seguro, livre e inclusivo" prometido pela Fifa. A HRW também disse que escreveu para Infantino solicitando detalhes sobre os indicados, juízes, termos de referência e processo de seleção para o prêmio da paz inaugural da Fifa. Trump recebeu o prêmio em dezembro pelo que a entidade que rege o futebol mundial disse serem seus esforços para promover o diálogo e a redução de tensões em focos de conflito ao redor do mundo. A Reuters entrou em contato com a Fifa e o ICE para comentar o assunto. * É proibida a reprodução deste conteúdo. Relacionadas Fifa negocia aumento das premiações da Copa do Mundo de 2026 Irã aguarda resposta da Fifa sobre mudança de local na Copa do Mundo Tensão com segurança na Copa sobe nos EUA com atraso de financiamento