Ao longo de toda a programação da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande, encerrada neste domingo (29), a Casa do Homem Pantaneiro recebeu uma agenda paralela de atividades gratuitas abertas ao público: a Conexão sem Fronteiras. Com o mesmo tema do encontro global, as atividades movimentaram o antigo prédio no Parque das Nações Indígenas, restaurado para estender os debates da conferência para além da Zona Azul destinada aos credenciados. Apresentação de iniciativas, exposições e atividades educativas despertaram a curiosidade sobre os ciclos e caminhos percorridos pelas espécies que migram através dos biomas brasileiros. “Faz a gente refletir que muitas das aves que a gente tem no nosso território passavam despercebidas. Muitas vezes são aves migratórias que a gente não tinha notado, não tinha essa noção”, diz o estudante de agroecologia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), Luiz Henrique Kinikinau, A professora da rede municipal de Campo Grande, Adriana Suzuki, considerou fundamental a recuperação de um espaço público para a finalidade educativa. Embora pratique observação de pássaros, ela pouco sabia da existência de uma conferência das Nações Unidas para conservação de espécies migratórias antes do anúncio de que a capital sul-mato-grossense seria a sede da COP15. Campo Grande (MS), 27/03/2026 – Professora Adriana Suzuki, durante entrevista para a Agência Brasil sobre a COP15. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Quando soube da programação viu uma oportunidade de conhecer mais sobre o assunto e multiplicar o conhecimento. “Então, eu vim estabelecer parcerias a fim de desenvolver projetos, transformar o que a gente vai aprender aqui hoje em processos pedagógicos”, disse. Legado A secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, em entrevista à imprensa no encerramento da COP15, considerou que a iniciativa promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima cumpriu um importante papel de mostrar todo o potencial da Casa do Homem Pantaneiro de ser um espaço democrático de divulgação da ciência. “A gente ficou muito satisfeito com os resultados e com a grande receptividade de todos que foram lá visitar”, afirmou. A secretária lembrou ainda que a conferência deixa outros legados como o Bosque da COP15 – um espaço verde urbano - e a construção de mais conhecimento sobre o tema, com o lançamento de um edital de pesquisa para fomentar estudos sobre espécies e rotas migratórias, que será publicado por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e direcionado aos pesquisadores, universidades e centros de pesquisa brasileiros. “É pensar que a gente está aqui construindo alguma coisa também para olhar para o futuro e ter um legado para a cidade. Isso foi muito bacana e foi um esforço compartilhado, integrado por todos os níveis, entes, com muitas parcerias”, completou. *A equipe viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente Relacionadas COP15 termina em Campo Grande com mais 40 espécies protegidas Atlas lançado na COP15 mostra rotas migratórias de aves vulneráveis COP15: povos tradicionais pedem reconhecimento dos saberes ancestrais