O porte atlético e o sorriso largo de Ricardo Pereira parecem ser o ideal para interpretar galãs de novela. Tanto que ele acumula alguns personagens com esse perfil ao longo de sua trajetória. Por isso, a oportunidade de viver um tipo como o ambicioso e bronco Tolentino, de "Liberdade, Liberdade", empolga o ator. "É um papel diferente de tudo que fiz até hoje, principalmente em televisão. E me apresenta como um ator que consegue tocar em várias frentes. Isso é tudo que eu quero", valoriza.
Natural de Lisboa, em Portugal, Ricardo fez sua estreia no Brasil como protagonista de "Como Uma Onda", exibida pela Globo em 2004. Desde então, não parou mais de se dividir entre trabalhos no mercado brasileiro e em seu país de origem, além de projetos em lugares como França, Espanha e Estados Unidos. "A base de tudo é o Rio de Janeiro. Daqui, vou partindo para vários lugares, até porque tenho família, criança na escola. Para mim, a vida profissional tem de andar muito perto da pessoal. Acho isso importante para tudo", explica.
Na trama de "Liberdade, Liberdade", Tolentino e André (Caio Blat) estão descobrindo que gostam um do outro, em uma época em que um relacionamento homossexual não era tolerado. "O Tolentino se mostra um cara focado, militar, a farda é a vida dele. Mas ele é destituído por conta de uma mulher que maltrata e acaba por matar. E sem a farda, ele é outra pessoa: solitário e amargurado com a vida. O personagem não tem uma coluna vertebral muito direita. Até que encontra o André, que tem um olhar diferente, uma forma de falar diferente e que dá uma atenção especial para ele. E Tolentino acaba se entregando nessa relação", conta o ator.
Para Pereira, esse encontro entre os personagens, "seja de amizade ou de amor, está sendo construído com uma delicadeza maravilhosa. Tem muito texto e muitas sequências que alimentam essa história. Mas acho que, levando em conta a época, não deve terminar bem".
No meio do povo
A fama que vem no "pacote" da carreira de ator de tevê não abala em nada Ricardo Pereira. Tranquilo e com os pés fincados no chão, o ator gosta mesmo é de observar as pessoas. Por isso, não se abstém de fazer nada. Sempre que pode, inicia conversas com quem não conhece e vai para lugares onde pode simplesmente olhar ao redor. "Eu digo sempre que a estrela está no céu (risos). Além de ator, sou psicólogo. Escolhi Psicologia porque o objeto de estudo é o comportamento humano. Se eu ficar no meu casulo, muito escondido, vou perder conteúdo de vida", explica o ator. ("Liberdade, Liberdade", Globo. Segunda, terça, quinta e sexta-feira, às 23 horas).