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Aos 58 de idade - destes, 35 dedicados à teledramaturgia -, Lília Cabral acreditava que não podia mais se surpreender com os folhetins. Acostumada com papéis de destaque nas novelas, ela sempre interpretou tipos mais duros e contemporâneos. Por isso, aceitou de cara o convite para interpretar a cafetina Virgínia em "Liberdade, Liberdade". "A história me encantou muito. Nem li a sinopse", entrega.
Escrita por Mário Teixeira e baseada no argumento de Márcia Prates, a trama foi livremente inspirada no livro "Joaquina, A Filha de Tiradentes", de Maria José Queiroz. "Ela é uma conspiradora, uma revolucionária. Uma mulher que não abaixava a cabeça, que não era submissa aos moldes tradicionais", argumenta a atriz, exaltando a importância de colocar personagens femininos em destaque. "Sou feminista e defendo os direitos da mulher. Claro que aproveito meu trabalho para mostrar isso. É uma postura elegante e consciente, não preciso sair por aí berrando meus ideais", justifica.
A participação da atriz em novelas de época não é muito comum, mas não é uma questão de preferência por histórias contemporâneas, segundo ela. "É mais como os trabalhos se apresentaram para mim. E o motivo pelo qual topei essa empreitada não é porque a história é retratada em outro século. A história me cativou pela força que tem. Mas, sem dúvida, é muito mais difícil. Tenho de me desconstruir. É um teste para mim", revela. "Só Deus sabe o quanto sofro quando meu vestido arrasta pela cidade cenográfica e leva tudo, o feno e as necessidades dos bichos (risos)", destaca.
Para Lília, a caracterização e o cenário fazem parte do trabalho: "Ainda que eu pense 'não vou sobreviver a essa roupa', ela me ajuda a entrar na personagem. A cidade cenográfica é inacreditável. E olha que faço novela há anos. Quando entro, me questiono se realmente não fui teletransportada".
O erotismo da personagem, que é dona de um bordel, vem da pesquisa de texto e visual da atriz. "Fiquei muito entretida com isso. Não fui atrás de cafetinas e prostitutas porque o tempo é outro. Ninguém poderia me falar com exatidão como foi naquela época. Não fui por um caminho óbvio, deixei a intuição falar mais alto. E então fui questionando as diferenças da sensualidade para o erotismo", explica. ("Liberdade, Liberdade", Globo. Segundas, terças, quintas e sextas-feiras, às 23 horas).
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