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Publicada em 14/01/2021 - 02h12min

Cedric Darwin

Ford

A multinacional americana anunciou o encerramento de suas atividades industriais no Brasil. Não foi a primeira e parece que não será a última montadora a deixar de fabricar no país. Não é qualquer montadora, mas a quinta maior em vendas no Brasil. São menos 5 mil empregos diretos que afetarão dezenas de milhares de outros empregos em fábricas de autopeças, concessionários e todo microssistema que gira em torno da montadora.
Desistir da opção fabril no Brasil de uma empresa tão emblemática na indústria automobilística é um claro recado para nós: não somos competitivos. Toda empresa visa o lucro e é isso que faz dela uma empresa, não há nada de errado nisso. Quando a atividade econômica deixa de ser lucrativa ela cessa. Foi o que aconteceu com a Ford no Brasil. Todos sabem que comprar um automóvel no Brasil é muito caro, a grande maioria dos brasileiros nunca será proprietária de um. A carga tributária sobre bens de consumo e não só sobre veículos é muito grande e impede o acesso da maioria da população ao produto.
Aqui, no mínimo 30% do valor de um veículo é tributo, nos EUA são 7%. A grande desvalorização do real frente ao dólar também reduz a margem de lucro das montadoras. A única, necessária e verdadeira reforma legislativa é a tributária e quanto a essa não há perspectiva. Simplificar o sistema tributário que é um cipoal de normas e regulamentos e reduzir o percentual de tributos sobre veículos seria uma forma de estimular a manutenção da indústria automotiva no Brasil.
Vivemos uma crise econômica há anos, crescente desemprego e o fechamento de indústrias só agrava o quadro. Os governos federal, estadual e municipal precisam parar de atrapalhar quem gera emprego, renda e tributos. É uma questão de escolha, o Brasil precisa escolher se quer ser um país industrializado ou apenas mais um consumidor de produtos industrializados em outras nações. É uma política para que a indústria continue ou venha para o Brasil é fundamental que sejamos civilizados no ambiente de negócios e isso definitivamente não somos. Ou mudamos ou quebramos.
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