Editorial
Publicada em 24/12/2020 - 02h33min

Dirceu Sousa

Plano SP desandou

Depois de um início surpreendente no enfrentamento da pandemia de coronavírus, com medidas corretas e oportunas, o governo do Estado desandou nos últimos meses com o seu polêmico Plano São Paulo de Retomada Econômica. Ao anunciar na segunda-feira o retrocesso à fase vermelha do programa, entre os dias 25 e 27 de dezembro e 1° e 3 de janeiro, cujo principal mote é o fechamento completo de lojas e serviços não essenciais, o Estado conseguiu levar à revolta, compreensível e justa, os comerciantes.
Se no começo de sua execução, durante os meses de maio e junho, o plano se baseava exclusivamente em preceitos científicos, receita vangloriada pelo governador João Doria (PSDB), com o passar do tempo e a insatisfação geral do comércio - segmento mais prejudicado pela pandemia -, os parâmetros que norteavam o programa foram se alterando à medida das necessidades do Estado.
Foram feitas mudanças no cronograma de avaliação das etapas, nos índices de ocupação de leitos hospitalares e, inclusive, nas definições geográficas das regiões. Tudo para se adequar ao momento de flexibilização, principalmente com o foco voltado para a capital paulista.
Agora, mais uma vez, o Estado decidiu, pressionado pela alta de casos e mortes por Covid-19 e sob o risco de enfrentar um caos no sistema hospitalar, paralisar lojas e serviços. A justificativa de se evitar o avanço da doença é correta, mas o momento não poderia ser mais desfavorável. Os comerciantes esperavam recuperar o faturamento, mesmo que parcial, justamente no período em que terão de fechar as portas. Os especialistas em Saúde questionam porque essa decisão não foi tomada antes, o que teria antecipado e evitado o aumento das infecções.
O mesmo procedimento foi tomado pelo governo no dia seguinte à votação em segundo turno das eleições municipais, quando determinou a volta à fase amarela do Plano SP, ampliando restrições de horário de funcionamento do comércio e da ocupação dos espaços destinados ao público. As duas mudanças denotam que as decisões foram pautadas por questões econômicas e políticas, tudo que o governo negou durante a pandemia.
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