Editorial
Publicada em 23/12/2020 - 00h37min

Dirceu Sousa

Dinheiro curto

Os municípios brasileiros vão iniciar 2021 com obstáculos suficientes para se obrigarem a apertar o cinto e mergulhar em restrições econômicas. Além dos efeitos da pandemia do coronavírus, que refletiram em diversos setores e que certamente avançarão para o próximo exercício, muitas cidades terão novos governantes, o que, naturalmente, exigirá cortes de gastos públicos como o prometido durante as campanhas, talvez um dos motivos mais fortes que os levaram à vitória nas urnas.
Levantamento publicado por este jornal na edição de ontem sobre a arrecadação do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que apontou uma retração regional em torno de 6,5%, é mais um indicativo de que o cenário para 2021 não é dos mais favoráveis. Economia em baixa, comércio em queda e desemprego crescendo são demonstrativos de que as receitas encolheram e economizar é a primeira regra para se equilibrar as finanças.
Para ilustrar a necessidade de se enxugar despesas, basta verificar que as cinco principais cidades do Alto Tietê tiveram uma redução de R$ 37.711.426 na arrecadação de ICMS entre os períodos de 2019 e 2020, de acordo com os dados da Secretaria de Estado da Fazenda. O valor é representativo para as cidades na aplicação em benefícios para a população, seja em obras ou em coberturas de despesas administrativas. Certamente as finanças sentirão a sua falta.
Há, porém, uma expectativa de que as vendas de Natal e Ano Novo possam recuperar um pouco dessas perdas. Considerando o visível aumento de pessoas em circulação nas ruas e nos estabelecimentos comerciais, a estimativa para o final do ano é animadora. Se não vai colocar a economia em patameres de anos anteriores, ao menos deixará uma boa perspectiva para 2021.
O ano vai começar com ingredientes econômicos bem distintos de períodos passados, como o início da vacinação do coronavírus, chegada da segunda onda de contágio e a posse de novos prefeitos e vereadores em gestões prometidas de controle e transparência, mas um elemento parece indiscutível: o dinheiro estará mais curto.
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