Cidades
Publicada em 21/11/2020 - 19h39min

Felipe Antonelli

Alta abstenção

Acompanhando a tendência nacional, as eleições municipais no Alto Tietê foram marcadas pela alta taxa de abstenção de votos. Mogi das Cruzes, por exemplo, teve a maior porcentagem de abstenções da região, 27,7% do eleitorado mogiano. Dos 319.826 aptos ao voto, 88.855 não compareceram às seções eleitorais.
Em Suzano, situação semelhante. No município, 23,8% dos eleitores deixaram de votar. Em números totais, 52.005 dos 217.959 eleitores aptos não exerceram o direito ao voto. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Brasil, a quantidade de brasileiros que optou em abster o voto foi o mais alto nos últimos 20 anos. Foram registrados 23,1% de abstenções, frente a 17,5% na disputa passada, em 2016.
Especialistas ouvidos pelo Grupo Mogi News já previam, antes do pleito, que o percentual de abstenção seria superior ao de 2016, uma vez que a pandemia de coronavírus intimida determinados grupos de eleitores a sair de casa para votar.
Se engana quem pensa que o pleito deste ano foi um "ponto fora da curva". As abstenções ao voto vem aumentando nos últimos anos. No pleito municipal de 2016, a abstenção foi de 17,6% no primeiro turno e, no anterior, em 2012, a taxa foi de 16,9%.
Em um país onde o voto é obrigatório, como o Brasil, a taxa de 23% de ausência no dia da eleição é considerada elevada. Isso representa que, cerca de um eleitor a cada quatro não foi às urnas. Além da pandemia da Covid-19 que certamente foi responsável por boa parte das abstenções neste ano, o movimento antipolítica atrelado à descrença da população com a classe política que cresce constantemente no Brasil também é culpado pelo índice elevado.
Uma corrente de especialistas defende que o exercício do voto não deve ser considerado apenas como um direito, e sim um dever da população com a coletividade. Ter o direito de eleger representantes que lutem pelo interesse coletivo sempre foi uma luta expressiva da sociedade. Entretanto, não é justo exigir que a população saia de sua casa para votar, no momento em que visualiza a segunda onda da Covid-19 se aproximando. Em mais uma oportunidade, as urnas mandaram um importante recado da população sobre o temor, ou desinteresse, dos eleitores com a pandemia e a política.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Mais vistos