Opinião
Publicada em 16/10/2020 - 01h17min

Heródoto Barbeiro

Livro na churrasqueira

Está cada vez mais difícil queimar livros. As churrasqueiras estão à disposição dos queimadores que fazem rituais gravados e dispostos nas redes sociais. O apego ao papel e tinta ainda é muito grande e os substitutos eletrônicos, como os tablets, ainda não conquistaram a mente e o bolso dos leitores.
Mas ainda assim é cada vez maior a quantidade de títulos publicados no formato e-book ou áudio book. Assim, como será possível queimar um livro? Jogar o celular ou o tablet na churrasqueira vai dar um prejuízo enorme, ainda que os incendiários possam gozar ao queimar uma obra, tenha ela que conteúdo tiver. A dificuldade de impedir que obras circulem não é nova. No Egito dos faraós as façanhas desses reis-guerreiros eram descritas em papiros ou pinturas nas paredes. E também nos monumentos de pedra. Tudo em hieróglifo. Vez por outro o sucessor mandava "queimar" os relatos contidos nesses documentos. O imperador chinês Chi Huangdi decide ao mesmo tempo impedir a propagação de obras que não sejam legalistas e iniciar um ciclo novo, como se tudo estivesse começado com o seu reinado. Bibliotecas de livros de papel de arroz viram cinzas.
Ao longo da história inúmeras bibliotecas são queimadas. Mas nada representa melhor a ameaça e a censura que a queima de livros lideradas pelos nazistas. Em Berlim a fogueira foi maior. Comemoram a chegada ao poder em 1933 do novo chanceler da República de Weimar: Adolf Hitler. A sanha da queima de livros sobrevive no mundo contemporâneo.
Mesmo sem o equipamento flambante, o radialista Tommy Charles inicia uma campanha para recolher livros, revistas, fotos destinados à fogueira. Vale tudo o que pega fogo. A execução das obras se dará na cidade de Birmingham, Inglaterra, e o dia combinado é quando chegar para uma apresentação um quarteto de jovens de Liverpool. Os Beatles devem ser recebidos com a repulsa da população, segundo o radialista, por ter o porta voz do grupo, um tal de John Lennon, ter afirmado que o conjunto é mais conhecido que Jesus Cristo.
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