Cidades
Publicada em 17/10/2020 - 22h08min

Luiz Kurpel*
Educação

Docentes se adaptam ao ensino remoto para manter as aulas

Para muitos profissionais da área, pandemia do coronavírus obrigou a inovação da linguagem com estudantes

Foto: Divulgação

Para Dayane, os anos iniciais são vitais na formação
A pandemia do coronavírus (Covid-19) afetou as pessoas de forma repentina neste ano. Vários setores tiveram de suspender as atividades de um dia para o outro e muita gente precisou se reinventar para continuar. Na área da Educação não foi diferente, mesmo diante de severas adversidades e desvalorização da profissão, muitos professores conseguiram se adaptar e inovar para continuar ensinando.
Em uma creche na cidade de Arujá, que atende mais de 200 crianças, os professores e pais foram surpreendidos quando a quarentena para conter a disseminação do vírus interrompeu as aulas presenciais. "Todos nós ficamos sem saber o que fazer no momento e muito preocupados. A educação das crianças nos anos iniciais é fundamental para o desenvolvimento e tudo que acontece nessa fase impacta pelo resto da vida", explicou a professora Dayane Barros da Silva.
De acordo com a pedagoga, muitos pais imaginam que a creche é apenas um local para deixar os filhos enquanto trabalham. "Mas a creche é muito mais que isso, existem objetivos para alcançarmos na formação das crianças e por isso não poderíamos interromper o ensino. Tivemos de pensar num modo de continuar com as aulas e foi aí que surgiu a ideia de gravarmos vídeos", lembrou.
"No começo pensamos que não ia dar certo, ninguém sabia gravar e nem editar um vídeo para torna-lo mais atrativo para os alunos. Buscamos tudo pela internet e encontramos alguns tutoriais e recomendações de aplicativos para edição que ajudaram muito", contou Dayane, detalhando que as edições foram melhorando ao ponto de incluírem um Chroma key, o famoso "fundo verde", para a criação de cenários com sobreposição de imagens.
Quem também teve de aprender a gravar e editar vídeos para continuar ensinando durante a pandemia foi a professora de Inglês, Suéller Costa. "Me desafiei a gravar os vídeos porque essa foi a forma que encontrei para me aproximar dos meus alunos. Acho muito frio e até maçante para o aluno o envio compulsório de atividades e conteúdos textuais. Com os vídeos consigo me sintonizar e dialogar com eles", disse a docente, que leciona para cerca de 240 alunos do 1° ao 5° anos, em três escolas de Guararema.
Para Suéller, além do desafio da gravação e edição, foi preciso conduzir uma adaptação da linguagem nos vídeos, que precisa ser diferente da aula presencial para prender a atenção do aluno. "Gravo como se estivesse conversando diretamente com eles para não transparecer que é algo distante. Além disso, incluo contação de histórias, dinâmicas e desafios de contextualização para levar o idioma para dentro da casa dos alunos", informou a docente.
Ambas professoras entrevistadas informaram que o retorno dos alunos e dos pais sobre os vídeos foi extremamente positivo e elogioso. As profissionais avaliaram que a experiência e a aprendizagem das competências digitais, apesar de desafiadoras, foram recompensadoras do ponto de vista pessoal e pedagógico.
Ainda que não haja nenhuma previsão para o retorno 100% presencial das aulas, as professoras estimam que o ensino híbrido - formato com aulas presenciais e remotas - será uma constante nos próximos anos.
*Texto supervisionado pelo editor.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Mais vistos