Social | Osny Garcez
Publicada em 15/09/2020 - 00h06min

Polêmica

Sexualização de crianças: Netflix enfrenta protestos

Filme da plataforma é acusado de conteúdo que sexualiza meninas e promove normalização da pedofilia

Foto: Reprodução

Filme tem gerado revolta por sexualizar crianças
Uma reação negativa está ocorrendo em relação ao filme intitulado "Mignonnes" em francês e "Cuties" em inglês, que está sendo transmitido na Netflix. Muitos afirmam que o conteúdo sexualiza meninas de 11 anos e promove a normalização da pedofilia. Em português, o longa foi chamado de "Lindinhas"  e conta a história de Amy, de 11 anos, uma garota muçulmana senegalesa que mora em um bairro pobre da França. Ela se junta a um grupo de meninas que executam rotinas de dança hipersexualizada, conhecida como "twerk".
O filme, que enfrentou polêmica no início deste ano quando a Netflix o anunciou com um pôster mostrando um grupo de garotas posando sugestivamente em trajes de dança minúsculos, gerou ainda mais indignação agora que pode ser visto em sua totalidade. Clipes das garotas girando provocativamente, com fotos em close de seus corpos seminus se tornaram virais nas redes sociais.
Muitos usuários do Twitter compararam à pornografia infantil, disseram que não iriam mais assinar o serviço de streaming e pediram que outros fizessem o mesmo, acompanhados por uma hashtag #cancelnetflix.
No mês passado, a Netflix mudou o pôster e a descrição do filme após uma onda de críticas online, que acusa a plataforma de expor as garotas de forma sexualizada. Porém, os trailers do filme lançados nas redes sociais mostram que não é apenas o banner da Netflix, mas a produção como um todo promove a sexualização precoce das garotas. Isso provocou ainda mais indignação online, com muitos dizendo que o filme está promovendo a pedofilia.
Fato é que o filme tem sido apontado como um exemplo de "pedofilia legalizada", não apenas por pais e grupos conservadores, mas também por guias de entretenimento como o conhecido IMDb. O site do guia expõe um claro alerta aos pais, descrevendo algumas cenas como "perturbadoras". "Um par de calças de couro justas em uma menina de 11 anos é puxado com força no meio de uma briga; a câmera olha para o traseiro exposto de sua calcinha", alertou parte do texto do IMDb.
A favor
Os defensores do filme afirmam que aqueles que reclamaram perderam o ponto principal e a mensagem geral do filme na verdade é contra a sexualização das crianças. Mas a reação destacou uma desconexão entre os críticos de cinema e grande parte da mídia tradicional que elogiou o filme e as massas que foram repelidas por ele.
Contrários
Para o jornalista e comentarista conservador Matt Walsh, "Cuties" é parte de um "esforço para normalizar a pedofilia". "É como um filme de terror, apresentando várias cenas de vítimas gritando, sendo estripadas para nossa diversão, alegando que apenas pretendia comentar sobre o problema da violência."
Já a fundadora e presidente do grupo pró-vida Live Action, Lila Rose postou uma série de tweets argumentando que a divulgação do filme nos EUA infringiu a lei do país sobre "pornografia infantil",

Curtas

Bolsonaro veta anistia em tributos a igrejas  
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atendeu à recomendação do ministro Paulo Guedes e vetou dispositivo que concedia anistia em tributos a serem pagos por igrejas evangélicas e católicas no país, medida que poderia ter impacto de R$ 1 bilhão. O veto foi assinado na sexta-feira (11), data-limite para sanção da proposta, e publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira (14). Por meio do Facebook, Bolsonaro explicou sua decisão, afirmando que vetou “dispositivo que isentava as igrejas da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL)” para evitar “um quase certo processo de impeachment”. Em sua justificativa, ele cita as Leis Diretrizes Orçamentárias e de Responsabilidade Fiscal. “Por força do art. 113 do ADCT, do art. 116 da Lei de Diretrizes Orçamentárias e também da Responsabilidade Fiscal sou obrigado a vetar dispositivo que isentava as Igrejas da contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), tudo para que eu evite um quase certo processo de impeachment”, escreveu o presidente. Uma emenda ao projeto de litígios com a União foi apresentada pelo deputado federal David Soares (DEM-SP) e aprovada pela Câmara em julho e, depois, pelo Senado em agosto. Ele é filho de R.R. Soares, pastor fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, uma das principais devedoras.
Universal acusa Globo de ataque e nega acusações
A Igreja Universal emitiu uma nota oficial sobre as acusações veiculadas na imprensa neste final de semana de que o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ) teria encontrado indícios de “bilionárias movimentações atípicas” da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). O MP disse ainda que a entidade religiosa está sendo “utilizada como instrumento para lavagem de dinheiro fruto da endêmica corrupção instalada na alta cúpula da administração municipal” do Rio. Na nota, a Igreja Universal do Reino de Deus diz que “é vítima de um ataque combinado entre a TV Globo e autoridades que atuam de modo abusivo”. A igreja negou “veementemente todas as absurdas acusações sobre lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e qualquer outro ato ilícito”. A Universal afirmou ainda que “não há nenhuma relação financeira entre Marcelo Crivella, suas campanhas políticas e a Igreja”. Durante o programa Entrelinhas deste domingo, dia 13 de setembro, o Bispo Renato Cardoso, ao lado do Bispo Adilson Silva, responsável pela Universal no estado de São Paulo, conversou ao vivo com o prefeito Crivella sobre as acusações. “É período eleitoral e a Rede Globo faz campanha para o ex-prefeito”, explicou Crivella.
Cristãos são mortos na Nigéria
As mortes no estado de Kaduna, na Nigéria, precisam de uma resolução do governo. Um número de nigerianos importantes na mídia e indústria das artes pediu pelo fim da violência. A campanha “Parem com as mortes no Sudeste de Kaduna” compreende uma série de vídeos curtos, estrelando atrizes, músicos e cineastas. Um dos artistas, o cantor nigeriano Joel Amadi, perdeu o pai em um ataque na vila de Zikpak, em 24 de julho, que se presume ser de responsabilidade de militantes fulanis. Ao menos 10 pessoas foram mortas, incluindo um pastor, além de tentarem incendiar uma igreja. “Eu sou vítima das mortes em Kaduna. Quero que o mundo todo ouça a minha voz. Desejo paz e que a unidade reine”, disse Amadi em um vídeo. No dia 9 de agosto, cristãos vestidos de preto de diferentes denominações se reuniram em uma igreja em Kaduna, capital do estado, para protestar contra a violência permanente. De acordo com números da Portas Abertas, os ataques fulanis no Cinturão Médio, na Nigéria, já tiraram a vida de pelo menos 3.507 cristãos entre janeiro de 2016 e junho de 2020.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Mais vistos