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Publicada em 15/09/2020 - 21h34min

Estadão Conteúdo
PROGRAMA ASSISTENCIAL

Bolsonaro enterra de vez Renda Brasil

Notícias sobre congelamento de pensões e aposentadorias fizeram com que o presidente desistisse do programa que não chegou a ser anunciado

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsonaro criticou proposta do ministério de Guedes
O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse ontem, que merece "cartão vermelho" quem sugere congelar aposentadorias. Ele também enterrou de vez o programa Renda Brasil, que nem chegou a ser anunciado, mas estava em formulação para ser o substituto do Bolsa Família. "Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final", afirmou Bolsonaro, em vídeo postado nas redes sociais.
O presidente disse ter ficado "surpreendido" ao ler as manchetes dos jornais de ontem sobre as medidas em estudo pela equipe econômica para abrir espaço no Orçamento de 2021 para bancar o novo programa assistencial, entre elas o congelamento das aposentadorias e pensões por dois anos. A intenção era aproveitar a experiência do auxílio emergencial e criar um programa que aumentasse o valor do Bolsa Família.
Bolsonaro e a equipe econômica, porém, não conseguiram chegar a um acordo sobre os cortes que deveriam ser feitos para financiar o novo programa. "Eu já disse, há poucas semanas, que eu jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem porventura vier propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho. É gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento de como vivem os aposentados do Brasil", disse o presidente.
A ideia de congelar os benefícios previdenciários (aposentadorias, pensões, auxílio doença e salário-família) por dois anos foi confirmada pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues.
A medida atingiria tanto quem ganha um salário mínimo (hoje, em R$ 1.045), como quem recebe acima disso e permitiria, inclusive, benefícios menores que o piso - o que é proibido atualmente.
Guedes 
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a "barulheira" em torno do Renda Brasil ontem, ocorreu porque "estão conectando pontos que não são conectados", referindo-se às notícias sobre estudos da equipe econômica de desindexação do salário mínimo em benefícios previdenciários como forma de financiar o novo programa de assistência social. Guedes ainda disse que o "cartão vermelho" de Bolsonaro não foi direcionado a ele.
"O que estava sendo estudado é o efeito sobre desindexação sobre todas as despesas", afirmou o ministro, em evento online Painel Tele Brasil 2020, explicando que a ideia é devolver o controle dos gastos aos governantes, já que hoje 96% dos gastos da União são obrigatórios, assim como Estados e municípios. 
O ministro lembrou ainda que, desde início, o presidente Bolsonaro disse que não queria consolidar programas sociais para criar o Renda Brasil, e que foi uma decisão política. 
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