Editorial
Publicada em 05/08/2020 - 00h03min

Dirceu Sousa

Respeito aos mortos

O Alto Tietê atingiu ontem a triste marca de mil mortes por Covid-19. Do primeiro registro de óbito na região, em Suzano, no dia 24 de março, até ontem, passaram-se 133 dias. Neste período, muita coisa mudou, desde a necessidade de ampliar cuidados com a higiene pessoal, até o comportamento das pessoas nas relações humanas. A máscara de proteção passou a ser item obrigatório no vestuário de crianças e adultos; a lavagem constante das mãos e a limpeza com álcool em gel para evitar a contaminação tornou-se rotina; os cumprimentos com aperto de mãos ou abraços deram lugar a gestos menos calorosos, como toques de cotovelos ou de punhos cerrados. As pessoas com mais de 60 anos, por representarem grupo de risco, foram amplamente afetadas, tendo de se isolar e precisar do auxílio dos mais jovens para executar tarefas simples, como as compras de supermercado. O mundo mudou, nunca é desnecessário falar.
A área da Saúde passou a determinar os parâmetros para todas as outras. Atividades ligadas à Educação, cultura, esportes, turismo, lazer e entretenimento foram totalmente paralisadas, acarretando prejuízos incalculáveis para os setores. Ainda hoje, muitas dessas atividades não foram retomadas por completo e há uma incógnita se isso poderá ser feito ainda neste ano. Calendários precisaram ser refeitos e planejamentos institucionais tiveram de passar por mudanças. No trabalho, a pandemia levou muita gente à modalidade de home office e acabou comprovando a eficiência do modelo e uma economia de tempo e de despesas trabalhistas. Mas, no geral, o desemprego e as restrições comerciais imperaram, afetando a vida de grande parte da população.
É necessário uma pausa para reflexão, desde a ocorrência da primeira até a milésima morte por Covid-19 na região. Para os familiares e amigos das vítimas, nada poderá substituir a ausência dos entes queridos. Eles jamais devem ser esquecidos por tudo aquilo que proporcionaram em sua passagem; e que a morte dessas mil pessoas no Alto Tietê não tenha sido em vão. Neste momento, as estatísticas não ajudam. Mas, o que importa mesmo são as vidas perdidas.
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