Opinião
Publicada em 17/08/2020 - 15h57min

Cedric Darwin

Guedes

Paulo Guedes, o posto Ipiranga da economia do governo federal, mostra sinais de fraqueza com a saída de dois secretários especiais do Ministério da Economia, da Desestatização e Desburocratização. Ambos jogaram a toalha e deixaram o ministério alegando que as privatizações não ocorrem, assim como a reforma administrativa.
A verdade é que o governo não consegue seguir a agenda de campanha. O estilo rolo compressor do presidente não vingou e ele apenas cede para que haja governabilidade. A pandemia e seus mais de cem mil mortos confirmados oficialmente é um fator de grande desgaste.
A postura adolescente e debochada diante da maior crise sanitária, humanitária e econômica parece estar cobrando o capital político do presidente. O prolongamento da pandemia e a falta de um protagonismo positivo aumentou sua rejeição e minam seus planos de reeleição. Então, tem tomado conselho do ex-deputado Rogério Marinho, que quer inaugurar obras e rodar o Brasil. De popularidade Rogério Marinho não entende, pois perdeu sua reeleição ao capitanear a reforma trabalhista como deputado federal jogando no time dos patrões.
Reduzir direitos de empregados pode soar como música para empregadores, mas a maioria do eleitorado ou é empregado ou está desempregado. A agenda de Rogério Marinho é apoiada pelo general Braga Neto da Casa Civil e contrária a de Paulo Guedes, que não quer investimentos em obras públicas, mas a criação de novos tributos nos moldes da CPMF. Bolsonaro quer apenas se reeleger e para isso fará tudo, menos cumprir suas promessas de campanha.
O combate a corrupção perdeu seu ícone, Sergio Moro, a questão ambiental é uma tragédia e a economia que já vinha cambaleante antes da pandemia caiu após ela e Guedes não demonstrarem ter capital político para levantar. Como é o último ministro estrela, certamente só deixa o cargo se quiser, ou se o presidente encontrar alguém mais interessante ou ainda se for necessária sua substituição em razão das pretensões de reeleição. O fato é que nossa economia que já não vinha bem antes da pandemia agora está pior e piorando.
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