Editorial
Publicada em 01/08/2020 - 01h48min

Dirceu Sousa

Longo caminho

A declaração de pandemia por conta dos avanços de infecções do novo coronavírus pela Organização Mundial da Saúde (OMS) completou seis meses nesta semana. A entidade aproveitou a ocasião para assumir que pode ter avaliado de forma equivocada a capacidade de alguns países no enfrentamento da crise sanitária. Nesta lista, certamente, estão os Estados Unidos e o Brasil, nações onde a doença fez o maior número de pessoas infectadas e de vítimas fatias. De acordo com os dados da Universidade de Johns Hopkins, divulgados ontem, os EUA tinham 4.536.240 casos confirmados e 152.878 mortes por Covid-19, enquanto o Brasil registrava 2.610.102 pessoas contaminadas e 91.263 óbitos.
No dia do comunicado oficial da OMS, existiam somente 100 casos confirmados e nenhuma morte pela doença fora da China, onde ocorreu o primeiro foco de Covid-19 na cidade de Wuhan. "Houve uma resposta lenta, no geral, para reagir quanto a rastreamento de contatos, investigação de surtos locais e testagem", disse Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, que reforça que sua atuação se deu principalmente em nações de renda média ou baixa, para prover assistência e direcionamentos. Na Ásia e na Europa, continentes com rendas mais equilibradas, o controle da doença se deu mais rápido, resultado de ações rigorosas do governo sobre quarentena, isolamento social, identificação e investigação de casos positivos, além de grande volume de testagem.
Estados Unidos e Brasil lideram com folga a triste estatística do coronavírus. Há uma relação não assumida por conta do desempenho de seus governantes em respeito à intensidade da doença. Tanto Donald Trump quanto Jair Bolsonaro desdenharam da Covid-19 no início da crise e ainda hoje mostram desprezo pelas regras de proteção e de cuidados com a higiene. Ambos preferiram, no decorrer dos meses, colocar as questões econômicas acima das sanitárias. O resultado foi desastroso para os dois. Seis meses após a declaração da OMS, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a afirmação de controle do coronavírus.
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