Editorial
Publicada em 31/07/2020 - 01h18min

Dirceu Sousa

Incerteza na Educação

Um dos últimos setores que ainda mantêm restrições mais acentuadas para a volta das atividades presenciais após a quarentena forçada pelo coronavírus, a Educação se revela um foco de resistência. Enquanto comércio, indústria, serviços e ocupações de lazer usaram todas as forças para a retomada mais rápida, estudantes, pais e escolas remam no sentido contrário, lutando para adiar ao máximo o retorno da presencialidade.
Prova disso são os resultados da consulta pública promovida pela Secretaria de Educação de Mogi das Cruzes, divulgados na quarta-feira. De acordo com a pesquisa feita de maneira on-line, 24 mil pessoas participaram da enquete, das quais 89% (21,3 mil) votaram por não retomar as aulas neste momento. Da mesma forma, a ampla maioria dos pais alega não estar segura para enviar os filhos para as escolas.
Desde o início de março, quando as aulas foram suspensas, houve um esforço das escolas públicas e privadas em programar atividades remotas para minimizar as perdas de conteúdo que os estudantes passaram a ter sem a presença física nos ambientes escolares. Apesar disso, muitos alunos e pais, que precisaram mudar a rotina diária para acompanhar os estudos dos filhos, não reconheceram a qualidade no ensino a distância.
Preocupados com a volta, segundo alegam, prematura das aulas, professores da rede pública estadual fizeram uma carreata na última quarta-feira em protesto contra o retorno das atividades presenciais. De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que organizou o movimento, há um elemento complicador que não está sendo avaliado na questão do retorno. "A estrutura das escolas é precária. Muitas vezes, não possuem ventilação adequada e têm salas improvisadas. Tem escola que não conta sequer com uma pia nos banheiros, e muito menos papel higiênico. Como falar em protocolo de segurança?", questionou a presidente da entidade e deputada estadual, Professora Bebel (PT).
A data para a polêmica volta às aulas está previamente definida, 8 de setembro, conforme o plano do Estado. Até lá, a discussão sobre o tema, com certeza, irá esquentar.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Mais vistos