Editorial
Publicada em 17/07/2020 - 01h45min

Dirceu Sousa

Respeito à ciência

O governo de São Paulo lançou ontem o Placar de Testes, mais uma ferramenta que vai oferecer dados regulares e atualizados para tentar compreender o quadro do coronavírus e definir estratégias para o combate à doença. Segundo o Estado, foram realizados até o dia 30 de junho 1.158.851 testes desde o início da pandemia, em março. Os testes são fundamentais para identificar a pessoa contaminada e realizar todo o procedimento de segurança a cada caso confirmado, incluindo o isolamento do paciente com o vírus e de seus parentes e pessoas que tiveram contato com ela.
De acordo com a proposta do Estado, a testagem em massa tem importância decisiva no sentido de reduzir a velocidade de contágio da doença, a partir da localização e isolamento dos pacientes. A teoria defendida pelos especialistas é de que quanto maior a intensidade da testagem, melhores serão as ações para se combater o vírus.
Por mais que as experiências de outros países sejam decisivas para dar os rumos dos protocolos no país, a realidade e as características do Brasil são muito difusas. "É uma estratégia que estamos desenvolvendo aqui no nosso país, onde temos favelas, aldeias indígenas, quilombolas, onde precisamos estar presentes com o nosso sistema de saúde", explicou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, coordenador da Plataforma de Diagnóstico de Coronavírus em SP, a respeito da testagem em São Paulo.
Existe uma certa resistência de alguns setores na utilização de dados estatísticos para se realizar planejamentos, principalmente quando se trata de saúde pública e da vida de pessoas em jogo. Mas os estudos são científicos e eles dão embasamento para as ações. Desde que a pandemia tomou a maior parte dos noticiários no mundo inteiro, os leitores tiveram de se acostumar com os dados da Covid-19, interpretando termos como casos confirmados, número de óbitos, taxa de letalidade, testagem em massa e outros termos menos comuns. A discussão do assunto é desgastante, mas ainda necessária. Se há um caminho seguro para superarmos a crise do coronavírus, será por meio dos estudos e da ciência.
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