Editorial
Publicada em 27/06/2020 - 01h07min

Dirceu Sousa

Bom senso

A manutenção do Alto Tietê na fase laranja do Plano São Paulo de Retomada Econômica, anunciada ontem durante coletiva de atualização dos índices pelo governo do Estado, no Palácio dos Bandeirantes, frustra a expectativa crescente nos últimos dias de que a região seria promovida para a fase amarela, a terceira na escala do plano. Com isso, os setores de bares, restaurantes e salões de beleza permanecem impedidos de reabrir. Da mesma forma, os horários e limitações dos segmentos já autorizados a funcionar seguem restritos a quatro horas de abertura e 20% como teto de ocupação dos espaços para a clientela.
As prefeituras da região, lideradas pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), haviam traçado planos para o avanço na flexibilização do comércio e estabelecido os protocolos de segurança viáveis para a situação, mas os acertos terão de aguardar a próxima atualização do Estado, daqui a duas semanas. Até lá, o mais indicado é criar condições, incluindo a fiscalização dos estabelecimentos abertos, para a estabilização dos indicadores que dão base às definições do Estado.
Por mais questionáveis que possam ser, os critérios adotados pelo governo para a classificação das regiões têm, ao menos, obedecido a coerência dos números revelados. De acordo com a planilha divulgada ontem, três pontos foram determinantes para a manutenção do Alto Tietê na fase laranja. São as variações de casos, de internações e de óbitos da terceira atualização, de 18 de junho até ontem. Os índices marcavam, respectivamente, crescimento de 0,80, 0,90 e 0,85, na primeira data, e passaram ontem para 1,40, 0,94 e 1,38.
Traduzindo apenas a questão dos óbitos - para simplificar a compreensão -, em 18 de junho a região registrava 537 mortos e, na última quinta-feira, contabilizou 609 vítimas fatais, um crescimento de 13,5%. Isso significa que, apesar de ter perdido a força de propulsão, a curva do coronavírus segue ascendente.
Sem desprezar a situação já crítica dos setores prejudicados com a nova atualização, a cautela demonstrada pelo Estado deve ser seguida como exemplo para os municípios. A ordem no momento é avançar, mas com solidez.
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