Opinião
Publicada em 30/06/2020 - 00h22min

Afonso Pola

Acadêmicos do Bolsonaro

Poucos dias após sua nomeação como ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli já teve dois títulos acadêmicos questionados. A primeira contestação veio do reitor da Universidade Nacional de Rosário, Franco Bartolacci, que o novo ministro não concluiu seu doutorado em Administração.
Já a segunda vem da Alemanha e diz respeito ao seu pós-doutorado. A Universidade de Wuppertal informou que Decotelli esteve na universidade, mas para uma pesquisa de três meses em 2016, não tendo adquirido titulação.
Esse tipo de fraude também já foi denunciado envolvendo outros nomes. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que costumava fazer referência aos seus títulos, não era "mestre em Educação" e "em Direito Constitucional e Direito da Família". Damares justificou que seu título tinha a ver com o ensino bíblico.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, assinava seus artigos se apresentando como mestre em Direito Público pela Universidade Yale, informação presente na assinatura de seus artigos. Por ocasião da revelação pelo site Intercept, a comunicação de Yale foi consultada e revelou desconhecer a passagem dele. Salles disse que tal informação foi um equívoco de sua assessoria.
Ricardo Vélez Rodriguez, ex-ministro da Educação, errou 22 vezes em seu currículo, como apontou o site Nexo. Ele relacionava textos publicados sem os coautores.
Para completar a lista do MEC, outro ex-ministro, Abraham Weintraub, publicou dois artigos idênticos em periódicos diferentes, mesmo havendo a exigência de ineditismo do material. Tal prática é conhecida no meio acadêmico como autoplágio.
Das cinco notícias indicando a presença de informações falsas, três se referem a pessoas que assumiram a Educação.
Plagiando Jorge Perlingeiro, locutor oficial das notas dos jurados nas apurações dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, eu diria: acadêmicos do governo Bolsonaro - zero, nota zero.
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