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Publicada em 27/06/2020 - 01h09min

Estadão Conteúdo
eleições nos eua

Trump quer se firmar como presidente da recuperação

Republicano aposta na retomada da economia para reverter desvantagem nas pesquisas

Diante das sucessivas pesquisas indicando que o presidente Donald Trump perderia as eleições para seu concorrente democrata Joe Biden, analistas afirmam que a estratégia do presidente americano agora é a de tentar se consolidar como o responsável pela normalização pós-pandemia do coronavírus e pela recuperação econômica.
Um de seus principais desafios é o de minimizar os prejuízos da pandemia e desqualificar as diferentes pesquisas que o colocam como perdedor da disputa pela Casa Branca. "Ele quer assegurar que haja uma sensação entre a população de uma tendência positiva e está disposto a aceitar um maior número de vítimas desde que haja recuperação mais rápida da economia. O que pode dar muito errado, já que a reabertura pode acelerar o número de casos", disse Oliver Stuenkel, coordenador de pós-graduação da Escola de Relações Internacionais da FGV.
O desemprego atinge 13,3% da população e, apenas em abril, 20 milhões de pessoas perderam seus trabalhos - o pior mês desde a Grande Depressão. Nesta semana, uma pesquisa do jornal The New York Times com o Siena College mostrou que Joe Biden tem 50% das intenções de voto e Trump, 36%. Em meio aos protestos por justiça racial e resultados de uma gestão errática da pandemia do coronavírus, o presidente americano registrou 39% em recente pesquisa da Gallup.
"É um número baixíssimo para um candidato que pretende a reeleição", avaliou Carlos Poggio, doutor em relações internacionais e professor da FAAP. Poggio lembra que apenas um candidato foi reeleito com um nível de aprovação tão baixo: Harry Truman, em 1948, mas pondera que a pesquisa é uma fotografia do momento e que ainda faltam cinco meses para o pleito. A mesma pesquisa do NYT mostrou que Trump perdeu força nos seis Estados-chave que deram a ele a vitória no Colégio Eleitoral em 2016: Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Flórida, Arizona e Carolina do Norte.
Na última semana, a campanha de Trump teve outra derrota considerável: alardeou que um comício em Oklahoma, o primeiro da retomada de sua campanha, iria atrair multidões. O local estava esvaziado. "Há uma percepção bastante ampla na população americana de que o governo Trump não geriu bem a pandemia", afirmou Stuenkel. "Além da crise econômica e da pandemia, as pesquisas mostram também uma percepção de que a postura de Trump não foi construtiva em relação às manifestações", disse.
Para Stuenkel, uma boa parcela da população acredita que o país está indo na direção errada e, diante disso, Trump já não é mais o favorito. O cenário é muito diferente do de 120 dias atrás, quando até mesmo democratas reconheciam a dificuldade de desbancar Trump na disputa presidencial. Pela primeira vez, Trump admitiu publicamente que poderia perder.
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