Editorial
Publicada em 20/05/2020 - 00h50min

Dirceu Sousa

Super feriado

Em mais um movimento para ampliar o combalido isolamento social na cidade de São Paulo, a Prefeitura decidiu antecipar os feriados de Corpus Christi e da Consciência Negra, que seriam celebrados nos dias 11 de junho e 20 de novembro, para hoje e amanhã, além de decretar ponto facultativo na próxima sexta-feira. A medida tem o objetivo de inibir a movimentação das pessoas nas ruas e, com isso, diminuir os riscos de contaminação da Covid-19, pois a ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital passou dos 90%. Com a mesma proposta, o governo do Estado também antecipou o feriado de 9 de julho, dia da Revolução Constitucionalista, para esta segunda-feira, o que daria uma sequência de seis dias de paralisação total das atividades não essenciais.
Na teoria, a ideia parece lógica, mas as cidades do litoral e do interior não concordaram com o super feriado. E com razão. A tendência é que, por mais alertadas que tenham sido sobre as intenções da proposta, as pessoas decidam usar os dias parados para ir à praia ou ao interior. Assim, o risco seria levar o vírus para a população desses locais, cuja estrutura para atender uma possível alta na demanda de doentes por coronavírus é muito inferior à da capital. O resultado seria simplesmente a transferência de um contingente de infectados e a medida não teria êxito nenhum. O Estado anunciou que vai apoiar as medidas restritivas impostas por essas cidades, como bloqueios na entrada dos municípios, para impedir a chegada de turistas.
Na região, o Consórcio dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) aprovou ontem a antecipação do feriado de Corpus Christi para esta sexta-feira, medida válida para as dez cidades que compõem o grupo, emendando com o feriado da segunda, estadual, da Revolução Constitucionalista. A preocupação é a mesma: reduzir a propagação do coronavírus forçando as pessoas ao isolamento domiciliar.
Na realidade, a pandemia de Covid-19 tem obrigado a criação de alternativas particulares para as regiões, que muitas vezes ferem os interesses de vizinhos. Tomar decisões isoladas e no calor das emoções não é a melhor maneira de enfrentar a doença.
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