Opinião
Publicada em 20/05/2020 - 00h44min

Afonso Pola

A gente 'somos' ridículo

Quase parafraseando o Ultraje a Rigor com o seu hit "inútil, a gente somos inútil", quero falar do nosso ridículo. Ridículo, a gente "somos" ridículo. Estamos passando um grande ridículo desde janeiro do ano passado. Estamos expondo, mundo afora, o tamanho da nossa ignorância representada pelo presidente e por vários de seus ministros.
Existe uma liturgia nesses cargos que precisa ser observada. Esse governo tem diversos defensores do terraplanismo e do negacionismo. Pessoas que quando acham a versão mais conveniente desconsideram os fatos.
Não é razoável ter na presidência alguém que manda jornalista calar a boca quando a pergunta o incomoda. Uma pessoa que esconde o resultado de seu exame e os volumosos gastos com o cartão corporativo. É degradante ter na presidência uma pessoa que comparece em ato que pede o fechamento do congresso e do STF. Da mesma forma, é degradante ter uma pessoa que desdenha das mortes provocadas pela Covid-19 e que até ontem já tinha tirado a vida de 18.118 pessoas.
O chefe do Executivo não pode, de forma irônica, dizer que vai fazer um churrasco para mais de mais de três mil pessoas, desconsiderando os especialistas. Aparece num vídeo convidando as pessoas para esse churrasco e depois diz que foi fake News.
Molecagem não combina com a instituição da presidência de qualquer país. Não pode insistir na negação de que tenha falado polícia federal na reunião virtual com o ex-ministro Sergio Moro, para depois dizer que falou citou a PF e não polícia federal.
Não pode demitir dois ministros da saúde em poucos dias no meio dessa pandemia. E muito menos, contrariando mais uma vez o que dizem os especialistas, defender o uso de um medicamento sem eficácia comprovada.
É exatamente por esses e outros tantos exemplos de aberrações cometidas por ele e seus ministros e por ainda convivermos com a permanência dele no cargo que eu digo. Ridículo, a gente "somos" ridículo.
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