Cidades
Publicada em

Thamires Marcelino*
Em prol da saúde

Comerciantes perdem chance de lucrar com mel e própolis

Apesar de serem apenas itens auxiliares para tratar resfriados, população buscou imunização de todos os lados

A calmaria que permeia pelas ruas centrais de Mogi das Cruzes em nada se assemelha ao usual fluxo de veículos e pedestres, seja em trânsito ou em busca dos produtos oferecidos pelos comércios, fechados desde terça-feira passada por conta da determinação do Estado para minimizar as chances de transmissão do coronavírus (Covid-19). Todos os estabelecimentos que tiveram que cessar as portas foram afetados. Mas, para alguns comerciantes ficou o gosto amargo de perder a chance de ter um boom nas vendas, como o caso de quem fornece mel e própolis.
De acordo com os entrevistados que trabalham com esses produtos, a venda chegou a aumentar cerca de 80% em apenas uma semana. Doce ilusão. Logo depois, a determinação de fechamento, visando a saúde e proteção da população, impediu um lucro ainda maior aos comerciantes.
De acordo com a vendedora Elisângela Pereira de Souza, o própolis tem uma eficiente função de imunização. "É claro que o uso do mel com o própolis não pode impedir a transmissão do vírus, mas aprimora a imunidade das pessoas e pode deixá-las mais resistentes aos resfriados", disse.
O gerente de uma loja de alimentos naturais, Neemias Tenório da Silva, contou que o própolis estava em falta antes do fechamento obrigatório da loja, justamente pelo surgimento do vírus. "Ainda que o produto natural não consiga impedir o contágio da doença, tampouco curá-la, as pessoas estavam em busca da imunização para diminuir as chances de pegar qualquer tipo de resfriado", acrescentou.
A loja onde a gerente Sâmela Gouveia Santos atua só se manteve aberta até a última terça-feira por conta desses produtos. "Com essa crise na área da Saúde, que prejudicou todos os demais setores, nós também observamos queda nas vendas. Ainda assim, o própolis e o mel foram os itens que mantiveram a nossa loja aberta todos os dias", afirmou.
Apesar dos costumes e receitas repassadas de geração em geração, é preciso estar bem informado sobre os medicamentos e sua eficácia. Conforme explicou o médico Luiz Antônio Ribeiro, não existe nenhum medicamento de uso oral que garanta o aumento imediato da imunidade, apenas as soluções injetáveis de uso hospitalar, como a imunoglobulina e o interferon. "O própolis pode ajudar a longo prazo em inflamações nas vias respiratórias pelo poder anti-inflamatório e anti-microbiano, mas apenas como um auxiliar. Portanto, não existe nenhuma vitamina ou suplemento que apresentem resultados no aumento da imunidade a curto prazo para ajudar na prevenção de transmissão do novo vírus", pontuou o médico.
*Texto supervisionado pelo editor.
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