Artigos
Publicada em 14/02/2020 - 01h41min

Felício Kamiyama

"Brincadeira"

Um pedaço de papel grudado nas costas de um aluno, com a descrição Chute-me. Uma conduta aviltante e desrespeitosa realizada com o objetivo de proporcionar uma "brincadeira" que, naquele momento, só a "vítima" não aprecia. Um tratamento humilhante para a pessoa que, por diversas razões, acaba sendo marginalizada. É considerada diferente e, por isso, foco de uma enxurrada de atos maldosos e, como um ralo, recebe toda a carga dos mais pesados ressentimentos familiares e sociais dos seus algozes.
Sim, um coletivo, pois, como se não bastasse a conduta antissocial, pessoas alinhadas com o mesmo pensamento desvirtuado, atendem ao escrito no mencionado pedaço de papel. Esses, após a descarga, se sentem leves e felizes, porém aquela que a recebe, impregnada por uma lama de cargas negativas, consubstanciada pelo frontal ataque a sua autoestima, passa a carregar um grande peso, por vezes, insuportável.
Seria injusto dizer que todos ali presentes concordaram com a situação. Alguns, com certeza, a reprovaram, contudo, por medo de serem agredidos, de serem recusados pelo grupo ou até mesmo o medo de também serem marginalizados, se portaram inertes. Nada fizeram para evitar ou minimizar tamanho dano.
É preciso postura. É preciso ação. É preciso reflexão para entender a gravidade do ato e, por vezes, a irreversibilidade do resultado. Hoje comenta-se uma outra "brincadeira", na qual três pessoas se posicionam, uma ao lado da outra. A do centro, a "vítima" e as que estão nas extremidades, os algozes, os quais pedem para que aquela repita seus movimentos. Então, esses, concomitantemente, efetuam um salto, distanciando-se do chão por alguns centímetros e retornando para o mesmo ponto. É a vez da "vítima" que, após o salto, antes que conseguisse voltar a tocar o chão, tem seu equilíbrio comprometido por "rasteiras" desferidas pelos algozes, os quais, aos risos, observam a queda da "vítima". Atitude inconsequente que gera humilhação, lesão grave ou permanente e até morte.
Compartilhe
Comentários
Comentar

Video

Mais vistos