Opinião
Publicada em 15/02/2020 - 21h53min

Haja descaso

As fortes chuvas que castigaram a região Sudeste do país na última semana evidenciaram a falta de preparo das cidades quando de frente a fenômenos naturais. Casas alagadas, pessoas que perderam tudo durante as enchentes, animais desabrigados à sorte nas tempestades, foram algumas das notícias que este jornal e outros veículos tiveram de informar à população.
Em Itaquaquecetuba, por exemplo, o número de pessoas desalojadas aumentou de 170 para 223 na última semana, segundo a Defesa Civil, e que seguem sendo abrigadas em diversas áreas públicas.
As imagens de uma das áreas mais movimentadas de Mogi das Cruzes, próxima ao shopping da cidade, embaixo d'água, rodou as redes sociais e levantou alguns questionamentos antigos por parte da população, que não suporta mais ver seus bens, sempre dificilmente adquiridos, serem levados pela "força da natureza", sem qualquer medida em contrapartida.
Se engana quem pensa que as cidades da região são as únicas a sofrerem com tamanhos estragos causados pelas chuvas e consequentes enchentes. Na capital paulista pessoas morreram e outras perderam tudo com a força da água.
Mas de quem é a culpa de tamanha tristeza causada pelas chuvas esperadas todos os anos? O descaso da sociedade - de forma geral - com a natureza, ou o mesmo descaso, desta vez por parte da classe política, que não oferece o devido cuidado com o tema?
A pergunta seguirá sem resposta concreta, mas alguns indícios podem clarear este cenário. Basta ver os investimentos realizados em nosso Estado, onde, de acordo com levantamento realizado pela GloboNews, em dez anos, o governo deixou de usar 42% da verba contra enchentes, o equivalente a mais de R$ 2,5 bilhões do montante orçado.
Perguntas não são respondidas e a temporada de chuva continua a todo vapor. O descaso da sociedade se soma à falta de políticas públicas eficazes e resultam na tristeza de parte da população. Enquanto nada é feito, o melhor é se preparar, pois vem mais água por aí.
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