Opinião
Publicada em 12/02/2020 - 04h05min

Elementar!

As comportas da barragem da Penha, na chegada a São Paulo, continuam fechadas, segundo determinação do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a fim de controlar os transtornos causados pelas chuvas na capital. Há tempos, a Região Metropolitana não é paralisada como nesta semana por conta de alagamentos. Empresas orientam funcionários a trabalhar de casa e o governo do Estado pede para que as pessoas evitem sair pelas ruas até o dia de hoje, para escapar de transtornos e situações de risco por conta das correntezas de água que atravessam as principais ruas e avenidas.
A medida do DAEE, em fechar as comportas da barragem da Penha, preocupou o grupo de prefeitos que formam o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), visto que o fechamento poderá trazer reflexos negativos às cidades da região, em especial, Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes. Na prática, o governo do Estado está minimizando as chances de alagamentos na capital, mas, aparentemente coloca o Alto Tietê em risco, embora o DAEE tenha garantido que as barragens aqui na região estejam seguras por enquanto.
O fechamento da barragem da Penha provoca o represamento da água do rio Tietê nos trechos anteriores, justamente aqueles que estão nas cidades do Alto Tietê, em especial, Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes, onde o nível do curso d'água já se encontrava elevado antes mesmo da chuva desta semana. Em Itaquá, por exemplo, já são 170 pessoas desalojadas. É nesse momento que aquele elefante, no meio da sala durante o ano todo, começa a incomodar os governantes. Os alagamentos são sazonais, fáceis de prever. E a culpa é sempre das chuvas, que caem mais do que o esperado. Assim como ocorre quando o assunto a ser tratado é o trânsito cada vez mais insuportável em várias cidades, principalmente em horários de pico, a culpa é da grande quantidade de veículos que circula nas ruas. Piada? Ironia? Sim. Como não lembrar do sarcástico Sherlock, em suas famosas sagas. É preciso planejar com antecedência ações para minimizar alagamentos? "Elementar, meu caro Watson".
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