Cidades
Publicada em 02/12/2019 - 23h19min

Nicolas Takada*
Madrugada

Dois mogianos estão entre os mortos em baile funk de SP

Gabriel Rogério de Moraes e Bruno Gabriel dos Santos morreram em evento na comunidade de Paraisópolis

Dois dos nove mortos em um tumulto durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, eram de Mogi das Cruzes. De acordo com as primeiras investigações, os jovens Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos, e Bruno Gabriel dos Santos, 22, foram pisoteadas durante a madrugada de domingo, em uma confusão entre a Polícia Militar e moradores da comunidade. 
Gabriel morava em um prédio no bairro da Vila Cléo, e trabalhava como leiturista de uma empresa. Muito emocionado, o pai dele, Reinaldo Cabral de Moraes, contou que não sabia da ida do jovem ao baile e que só ficou sabendo do acontecido, após um amigo do filho ter avisado. "Pelo que falaram para mim, ele não queria ir, mas houve insistência de alguns colegas e ele acabou cedendo. Ele afirmava para mim que não gostava de bailes funks e que não era muito chegado a bebidas", contou.
"Vão ter investigações, mas o que indica é que houve um excesso policial contra jovens que estavam lá. Apesar de eles alegarem que foi uma ação contra marginais, não justifica o que eles fizeram. Não existe justificativa para tirar uma vida. Eu creio que tendo uma boa investigação, os culpados irão aparecer", completou o pai.
O amigo de infância, Mike da Silva Siqueira, 23, havia conversado com Gabriel um dia antes do acontecido, tentando convencer o jovem a não ir no "Baile da 17", como é conhecido, e que tinha comentado para ele ir em outro lugar que já era conhecido pelos dois amigos, porém, Gabriel acabou indo com um outro grupo de amigos para Paraisópolis.
Mike também frisou que o que houve com Gabriel foi um assassinato e não apenas, uma morte por pisoteamento. "Tem que ver o que aconteceu certinho, porque está saindo por aí diversas imagens de policiais agredindo os jovens que estavam no baile e eu não duvido que infelizmente isso tenha acontecido com o Gabriel''.
O operador de telemarketing Bruno Gabriel dos Santos tinha completado 22 anos no dia 28 de novembro. O jovem teria saído de casa dizendo que ia comemorar o aniversário na noite do último sábado, na casa de um amigo. A irmã adotiva dele, a professora Vanini Cristiane Siqueira, 39, destacou que o momento é de pedir justiça. "Precisamos saber o que realmente aconteceu durante a ação dos policiais. Tudo indica que meu irmão foi pego na cabeça ou foi atingido de frente''.
O corpo de Gabriel de Moraes começou a ser velado por volta das 11 horas no Velório Cristo Redentor e foi enterrado pouco antes das 17, no Cemitério da Saudade, no distrito de Braz Cubas, rodeado de amigos e familiares. Já o corpo de Bruno Gabriel chegou ao município, por volta das 19 horas e até o fechamento desta edição não havia informações sobre o sepultamento.
Caso
De acordo com a Polícia Militar, uma equipe realizava a "Operação Pancadão" na madrugada de domingo quando foi alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.
O tiroteio teria provocado um tumulto entre os frequentadores do evento, que contava com cerca de 5 mil pessoas, em uma comunidade de 100 mil habitantes. O alto movimento de pessoas que estavam tentando sair do local, acabou gerando um fluxo excessivo nas vielas, tendo pessoas caindo e sendo pisoteadas.
(*Texto supervisionado pelo editor.)
 
  • Gabriel Rogério de Moraes, tinha 20 anos
  • Bruno Gabriel dos Santos, tinha 22 anos
  • Durante o sepultamento de Gabriel Moraes, familiares e amigos pediam justiça

Doria diz que ações devem continuar

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) lamentou as mortes dos nove jovens em um baile funk, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) lamentou as mortes dos nove jovens em um baile funk, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Doria também negou que as mortes tenham sido causadas pela ação da Polícia Militar.
Em coletiva, o tucano disse que as mortes não foram provocadas pela PM e que não houve invasão ao baile funk, no entanto, destacou que pode reavaliar e rever pontos específicos e penalizar quem cometeu erros, mas que manterá a política de segurança pública de São Paulo. "A letalidade não foi provocada pela PM, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava acontecendo baile funk. É preciso ter muito cuidado para não inverter o processo".
O governador também reforçou que o acontecido não irá mudar as diretrizes do Estado sobre segurança pública. "As ações nas comunidades de São Paulo vão continuar. A existência de um fato e circunstancialmente com as apurações que serão feitas, não inibirá as ações que serão feitas envolvendo Segurança Pública. Não inibe ação, mas exige apuração", disse Doria
Durante a ação, nove jovens morreram, entre eles dois de Mogi das Cruzes. De acordo com a polícia, os jovens Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos e Bruno Gabriel dos Santos, 22, foram pisoteadas durante a madrugada do último domingo, em uma confusão entre a polícia e moradores da comunidade. (N.T.)
(Texto supervisionado pelo editor.)
Compartilhe
Comentários
Comentar

Video

Mais vistos