Polícia
Publicada em 14/09/2019 - 16h23min

Pronto para atender ao chamado dos bichos

Como um dos mais atuantes profissionais do Alto Tietê, veterinário diz que ajudar os animais é retribuir seu ganha-pão

A mensagem no celular do veterinário interrompeu a entrevista às 16h54. Na tela do smartphone havia a foto de uma ave e um pedido de ajuda. Rapidamente, Jefferson Renan de Araújo Leite, ali mesmo no WhatsApp, deu a orientação: "Este é um gavião carcará que está machucado. Teria sido atacado por cães lá no bairro Caputera", detalhou Leite, exibindo a imagem da ave de rapina que necessitava de socorro.
Esta é a rotina de um dos veterinários mais atuantes do Alto Tietê em resgates de animais silvestres. "Isso (pedido de ajuda) que vocês (repórter e fotógrafa) viram acontece a todo momento. Eu faço por amor. Eu ganho a vida com os bichos e esta é uma forma de retribuir", contou.
Voltando pouco mais de uma hora no tempo, chega-se ao momento em que Leite abriu as portas da sua clínica veterinária, a Zoomédica, situada na rua Presidente Campos Salles, no centro de Mogi, à reportagem do Mogi News. Logo na entrada, ainda no portão, o gato de estimação dele, o Samy, veio ao encontro da equipe. "Ele é assim mesmo. Todo mundo que chega, ele vai receber", explicou. O bate-papo ocorreu no consultório, em torno daquela mesa metálica onde são realizados os atendimentos aos animais. No canto da sala, uma estufa com uma coruja dentro (leia mais no final da matéria). "Ela foi atropelada e a trouxeram para eu cuidar. Teve um trauma neurológico", detalhou.
O veterinário que se formou em 1994, na Universidade Federal de Alfenas, a Unifal, diz estar sempre em alerta e disposto para fazer este tipo de resgate. Desenvolve um trabalho totalmente voluntário. Leite utiliza a sua própria clínica para dar os primeiros socorros aos animais silvestres que ele resgata, não só em Mogi das Cruzes. Aliás, a fama de "Dr. Dolittle" (personagem da ficção que conversava com os bichos) do médico-veterinário mogiano já ultrapassou os limites do Alto Tietê.
Após este primeiro atendimento, Leite mantém o bicho em observação e, na maioria dos casos, acaba os recolocando na natureza. Quando o caso é mais grave, o animal é imediatamente encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), que fica no Parque Ecológico do Alto Tietê.
"Eu tenho, sim, gastos com os atendimentos. Por exemplo, vem uma ave de rapina, é preciso, por exemplo, comprar ratos para alimentá-la. Tem animais que precisam de certos tipos de frutas. É claro que os bichos aqui ficam no máximo dois dias, mas a média de gasto é de R$ 1 mil por mês, principalmente na primavera, que é uma época de migração e de reprodução", detalhou.
Neste caso, pode-se afirmar que está aberta a temporada de resgate de animais silvestres no meio urbano. De acordo com Leite, entre agosto e março, boa parte das espécies silvestres se encontra em trânsito, principalmente em busca de locais para a reprodução. "É nesta época em que ocorrem boa parte dos acidentes com os animais silvestres", disse.
O gavião e a coruja
Aquele chamado de resgate para o gavião carcará já quase no final da entrevista teve o seguinte diagnóstico: a ave, por apresentar um desvio no bico (lesão antiga) tinha dificuldade para se alimentar e, por conta disso, acabou ficando fraca e se deixou ser atacada por cães.
"O animal silvestre é muito arisco e quando se deixa ser resgatado ou até mesmo manuseado é porque há algo de errado com ele. O gavião recebeu analgésicos e antibiótico, além de uma correção, mas teve de ser encaminhado ao Cras, em São Paulo, por causa dos ferimentos causados pelas mordidas dos cães", contou.
Já o caso da coruja buraqueira, que acompanhou toda a entrevista atenta de dentro da estufa na sala de consulta do médico, também apresenta risco e, do mesmo modo, acabou sendo transferida para o Cras. "A maioria dos animais resgatados morre, apenas uns 40% se salva", finalizou.
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