Social | Osny Garcez
Publicada em 09/08/2019 - 21h41min

Mariana Queiroz*
produção de arte

Artesão do som

Luthiers contam um pouco sobre o detalhado trabalho de construir e reparar instrumentos musicais; é o tipo do negócio que exige entrega e amor à profissão

Foto: Fotos: Felipe Claro

Torquato mostra com orgulho uma de suas produções
Trabalhar com aquilo que gosta é o que todas as pessoas almejam. Paulo Henrique Torquato, de 44 anos, já realiza esse feito há doze anos. Ele começou a construir seu sonho trabalhando como vendedor em uma loja de instrumentos musicais. Foi quando, com experiência já adquirida, teve a ideia de se tornar um luthier (profissional que produz e repara instrumentos musicais). Assim, abriu uma lutheria, no centro de Mogi das Cruzes, na rua Barão de Jaceguai. Depois de dois anos de investimento na profissão, seu pai, Claudio Torquato, também o auxiliou no negócio. "Todo dia acordo feliz da vida porque venho trabalhar com o que amo. Isso é o mais importante", relatou Torquato, que tem como hobby tocar com sua banda de thrash metal, formada por amigos, há 22 anos. 
Os instrumentos por ele construídos são únicos e personalizados, todos feitos sob medida para o músico. "Para construir um bom instrumento é necessário levar em consideração a finalidade dele para o instrumentista. Eu prezo muito pela qualidade e é importante que atenda às necessidades do cliente. Primeiramente, é preciso saber o estilo do som que o cliente quer tirar do instrumento. Depois eu seleciono as madeiras mais próximas do timbre que ele quer, bem como as peças e captadores adequados", detalha o luthier.
Violão, contrabaixo e guitarra são os carros chefes de construção e equiparação da lutheria. Para produzir um desses, por exemplo, Torquato leva em média três meses, e o valor do instrumento personalizado pode variar de R$ 3 mil a R$ 6 mil.
Para se tornar um luthier, é preciso conhecer todo o mecanismo de um instrumento, como explica Torquato. "É necessário entender todo processo de restauração e reconhecer o primeiro corte da madeira até a regulagem do instrumento".
Expansão
A oficina de instrumentos musicais Torky já existe há doze anos. Para ampliar o projeto, o proprietário Paulo Torquato criou o sistema de franquia móvel de sua luthieria. "O franqueado será um reparador de instrumentos musicais. Para se tornar um profissional dessa área leva tempo, por isso, o franqueado passa por um curso comigo. Assim, ele pode atender na casa do cliente, nas escolas de músicas e nas igrejas", contou.
É a primeira franquia móvel de consertos de instrumentos musicais no Brasil e todas as peças utilizadas para os reparos são oferecidas pela oficina Torky. "O objetivo da franquia é que a pessoa aprenda a reparar instrumentos e, conforme vai evoluindo, oferecemos mais cursos para que se torne um luthier".
*Texto supervisionado pelo editor. 

Além do conserto

Com o trabalho estabilizado na lutheria e o projeto de ampliação em vista, Paulo Torquato teve a ideia de fazer da música não só um trabalho, mas um agente cultural na vida de crianças e jovens

Com o trabalho estabilizado na lutheria e o projeto de ampliação em vista, Paulo Torquato teve a ideia de fazer da música não só um trabalho, mas um agente cultural na vida de crianças e jovens.  Um dos projetos é levar músicos da região às escolas, para que a juventude tenha contato com o meio musical. "A música auxilia na concentração, o que é importante na vida de um estudante. Queremos montar uma oficina de instrumentos musicais nas escolas que, depois de serem consertados, serão doados para as unidades de ensino. Também temos a ideia de levar professores de música às escolas", contou Torquato. 
Além disso, a Torky também conta com um kit musical para crianças, em que parte da renda é doada a instituições carentes. O kit é vendido com uma réplica do mascote Torkynho, gibi musical, chocalho semelhante ao utilizado em aldeias indígenas e jogos interativos. Esse trabalho social é considerado a "menina dos olhos" da lutheria. "Temos essa responsabilidade de incluir as crianças no nosso trabalho, porque elas são a semente. Assim, futuramente, levarão a música adiante", ressaltou Torquato.
Bandas da região
Outro projeto desenvolvido pela lutheria é o Torky Entrevista, com canal no youtube, em que Paulo Torquato bate um papo com bandas da região, com o objetivo de introduzi-las no cenário musical. "Esse programa é recente. Eu converso com as bandas no estúdio que temos aqui e, semanalmente, publicamos videos. Além de conversar comigo, as bandas também tocam algumas músicas", relatou o idealizador. (M.Q.)

A escolha da madeira certa

Oriundo de família de artesãos, Cerlon Melo tem uma lutheria há 12 anos, no Jardim Layr. A profissão, segundo ele, surgiu de uma necessidade

Oriundo de família de artesãos, Cerlon Melo tem uma lutheria há 12 anos, no Jardim Layr. A profissão, segundo ele, surgiu de uma necessidade. "Eu toco contrabaixo e toda vez que eu precisava levar meu instrumento para reparar ou regular, ele não ficava bom. Então resolvi aprender sobre manutenção de instrumentos musicais e me tornei um luthier", conta Melo.
Assim, ele e seu pai, Álvaro, realizaram um curso de produção de viola. O sobrinho, Rafael, também auxilia na produção dos instrumentos. Guitarra, baixo e violão são os mais procurados para personalização. "Na construção dos instrumentos, eu utilizo madeiras nobres selecionadas há 50 anos. São do tipo mogno e marfim, vindos da Alemanha, Paraguai e aqui do Brasil. Quanto mais velho o material, melhor para produzir o timbre", explicou.
A produção pode levar de dois a três meses varia de R$ 2 mil a R$ 8 mil. (M.Q.)
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