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Publicada em 10/08/2019 - 20h28min

Transformação de vidas com o poder da música

Maestro Lelis Gerson Felício dos Reis cresceu em meio de notas musicais e hoje é responsável por dois importantes projetos em Mogi das Cruzes

Certo dia, um rapaz, morador do bairro Jundiapeba, parou diante do diretor artístico da Associação Sinfônica de Mogi das Cruzes, Lelis Gerson Felício dos Reis, de 44 anos e desabafou: "Maestro, se eu não fosse músico, hoje, eu estaria morto ou preso". A declaração daquele rapaz emocionou Lelis. Em meados de 2003, o menino da periferia de Mogi escolheu seguir o caminho da música. E assim foi salvo.
O maestro fez questão de citar esta passagem durante a entrevista concedida ao Mogi News, em uma sala administrativa da Escola Municipal Mário Portes, em Jundiapeba. Foi um bate-papo agradável de pouco mais de uma hora. Notas graves de um trombone vinham da sala de música ao lado: era o tradicional aquecimento antes do ensaio da Banda Sinfônica: "Aquele rapaz hoje é graduado e vive da música. É casado, tem duas filhas e é professor no nosso projeto. Esta é a prova de que a música realmente transforma as pessoas", enfatizou.
O maestro Lelis Gerson é um ser humano formado pela música. Os olhos brilham quando conta, com detalhes e sempre gesticulando os braços - talvez uma mania dos regentes - sobre sua infância ao lado do pai, músico e integrante da Banda da Força Aérea Brasileira, e quando fala dos trabalhos sinfônicos da cidade. "Eu vivo música 100%", define.
Projetos
Atualmente, o maestro coordena dois projetos municipais: o "Pequenos Músicos... Primeiros Acordes na Escola" da Secretaria de Educação de Mogi - iniciativa presente em 16 escolas da cidade - e o projeto da Orquestra Sinfônica, que pertence à Se
cretaria de Cultura. As duas iniciativas abraçam um total de 11 mil alunos e fazem de Mogi das Cruzes uma referência no Brasil quando o assunto é inclusão de aulas de musicalização e ensino sinfônico. Uma história que começou em 2000, quando Lelis foi chamado para iniciar a montagem da Associação Sinfônica de Mogi. "O prefeito, na época, Junji Abe, tinha vontade de montar uma orquestra na cidade. Então, eu fui chamado por um amigo da prefeitura para ajudar a criar um trabalho que seria apresentado no Teatro Vasquez. Nesta época, desenvolvia um projeto de música em uma igreja e conseguimos fazer esta apresentação. Depois disso, houve o interesse do poder público e, assim, a Associação Orquestra Sinfônica foi montada.
Era o início da era sinfônica no município. Lelis conta que, logo em seguida, o maestro do Rio de Janeiro, Marcelo Jardim, veio a Mogi e o projeto ganhou ainda mais força. "Ele (Marcelo Jardim) veio à cidade para uma apresentação com o Guilherme Arantes e, neste ocasião, foi feito um convite para ele trabalhar no projeto sinfônico de Mogi. A vinda dele, que já era profissional do ramo, foi fundamental. Uma experiência incrível. E ele começou a trabalhar com os Canarinhos do Itapety
e eu me tornei o assistente dele", detalha.
Um dos primeiros atos da dupla foi angariar talentos do coral Canarinhos do Itapety.
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