Editorial
Publicada em 31/08/2019 - 16h49min

Dirceu Sousa

Era da transformação

Foto: Vitoria Mikaelli

Entrevista de balanço anual - Prefeito de Mogi - Marcus Melo
Ao completar 459 anos de fundação, o município de Mogi das Cruzes vive um dilema existencial muito comum às cidades históricas: resistir na preservação de seu patrimônio, construído arduamente pelo povo ao longo do tempo, ou abrir as portas para a modernidade, oferecendo uma vida confortável e segura para os moradores. Na verdade, não há como dissociar as duas vertentes. A missão quase impossível é encontrar o ponto de equilíbrio na balança, aquela marca na escala que abraça o passado inegável da mesma forma que se lança ao futuro imprevisível.
A distância que separa, por exemplo, a construção das igrejas do Carmo, há mais de 250 anos, que remete a um legado histórico formado por conceitos ortodoxos de religiosidade e de arquitetura, da instalação do Polo Digital - centro de estudos avançados responsável pela quebra dos paradigmas tecnológicos - é imensurável. O cenário atual de Mogi convive com os extremos. A cidade foi povoada pela intervenção dos bandeirantes em praças indígenas, cujas primeiras edificações e ruas jamais sonharam com energia elétrica ou veículos motorizados. Hoje, o município possui mais de 445 mil habitantes e precisa encontrar fórmulas para oferecer moradia digna a todos, além de trabalho, educação, saúde e outras necessidades básicas. A tarefa não é fácil.
Há também o contraponto da preservação ambiental com as exigências naturais do desenvolvimento econômico. Assim, como conciliar a manutenção da Mata Atlântica com obras necessárias como a abertura da avenida das Orquídeas e uma duplicação da rodovia Mogi-Dutra e outra iminente da Mogi-Bertioga? Além disso, não há como atrair indústrias para o município sem conceder benefícios para as cada vez mais concorridas empresas nacionais e multinacionais.
Para aliviar a angústia do dilema mogiano, podemos recorrer à sabedoria de Carlos Drummond de Andrade. Em um trecho de "O tempo passa? Não passa", o mestre divaga: "São mitos de calendário/ tanto o ontem como o agora,/ e o teu aniversário/ é um nascer toda a hora". Mogi precisa se redescobrir todo dia.
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