Editorial
Publicada em 24/08/2019 - 00h15min

Riscos do fogo

A situação das queimadas na Amazônia é gravíssima. De acordo com registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente neste ano foram contabilizados mais de 70 mil focos de incêndio no país. Comparado com o mesmo período do ano passado, o volume representa um crescimento assustador de 84%. Apenas a Amazônia responde por mais da metade dos registros do Inpe.
O assunto ganhou projeção mundial, com diversos líderes internacionais demonstrando a real preocupação com os prejuízos para o meio ambiente. Emmanuel Macron, presidente da França, por exemplo, classificou o quadro como "crise internacional", sugerindo urgência na discussão do tema na próxima reunião do G7 - o grupo dos países mais ricos.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), depois de uma sessão de comentários infelizes, nos quais chegou a insinuar que a responsabilidade pelos desmatamentos e posteriores incêndios era de ONGs ambientalistas, cedeu às pressões internacionais e decidiu instalar um gabinete de crise para atenuar os efeitos negativos das queimadas na Amazônia. Na noite de quinta-feira, Bolsonaro reuniu a elite do ministério para discutir o assunto e encontrar um discurso único, a fim de interromper a onda da repercussão negativa para o Brasil. Como decisão efetiva, ordenou a ação das tropas do Exército para auxiliar no combate aos focos do incêndio na região amazônica.
Respeitadas as proporções, os municípios do Alto Tietê precisam estar alertas para possíveis queimadas na temporada mais seca do ano. A região é circundada pela Mata Atlântica, responsável pelo equilíbrio ambiental, que deve ser preservada. Uma das alternativas para melhorar o quadro é buscar apoio do Estado para propostas de manutenção da mata. A serra do Itapeti, em Mogi das Cruzes, que recebeu no ano passado o selo de Área de Proteção Ambiental (APA), é um bom exemplo de iniciativa positiva para a temática. O modelo ruim, infelizmente, vem da Amazônia. Já passou da hora de tratarmos a preservação do meio ambiente como prioridade. O momento é agora.
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