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Publicada em 15/08/2019 - 17h28min

Paulo Passos

"Saidinhas"

Cumpridas as condições impostas por lei, de quando em vez, principalmente nos feriados mais solenes, os magistrados responsáveis pelas Execuções Penais concedem a um número de presos liberdade provisória por alguns dias. A medida, num sistema prisional que absolutamente reeduca, tem por finalidade permitir o estreitamento dos esgarçados laços familiares, bem como, a reaproximação com o grupo exterior, aquele ao qual se voltará após a liberdade.
O ato, no entanto, tem provocado, quase que sempre, grita geral, principalmente em época atual, quando as redes sociais incentivam o protesto. Em termos, não há quem discordar possa de situações que se aparentam escabrosas, humilhantes.
Afinal, brindar-se com saída do cárcere no Dia dos Pais, àquela que se notabilizou por matar o genitor, ou, se estender a concessão à outra, que, covardemente, tirou a vida de criança que deveria amar como filha, equivale a agressão moral contra todos nós.
Há que se convir, porém, que os juízes que assim decidem o fazem, como antecipado, tendo por alicerce a norma, que quer se queira, ou não, é genérica, abrange a todos os que se situem em seus domínios. A fala pela fala, o protesto pelo protesto, a revolta pela revolta, de nada adiantarão se medidas mais concretas não forem tomadas.
Urge, àqueles que se sentem incomodados, procurar os seus representantes no Legislativo federal, os mesmos que acenam com tantas promessas nos períodos pré-eleitorais, deles exigindo modificações que não permitam tais descalabros.
Diferentemente de outros povos, a história tem demonstrado que concordamos com tudo. Rugimos, esbravejamos, mas passado o instante, nos esquecemos da ira que se irradiava, e, até nova oportunidade, nos quedamos silentes, inoperantes.
Volto às redes sociais. Elas estão aí e têm provocado mudanças no mundo (exemplifique-se com a Primavera Árabe, insuflada e vitoriosa graças à mídia eletrônica). Sabendo usá-la, as modificações almejadas acontecerão.
Desta vez, não deixe de lado. Reclame contra o abuso!
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