Opinião
Publicada em 10/08/2019 - 20h28min

A questão da energia

Há tendências no Brasil que demoram a vingar, se comparadas a outras tantas observadas no mundo inteiro. Uma delas é a utilização da energia solar fotovoltaica como fonte de abastecimento do setor elétrico no país. Enquanto países como China, Estados Unidos e Japão possuem, respectivamente, 176,1, 62,2 e 56 gigawatts (GW) de potência acumulada para distribuição de energia, o Brasil está timidamente na casa dos 2,4 GW. Somente no ano passado, por exemplo, a Índia instalou 10,8 GW de capacidade e o Brasil apenas 1,2 GW. Consideradas as proporções territoriais do país, estamos longe de atingir um patamar competitivo internacionalmente e de equilibrar a balança da sustentabilidade na geração de energia renovável.
Os dados publicados no mês passado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostram ainda que a energia hídrica responde por 61% da matriz elétrica brasileira e a solar fotovoltaica somente por 1,2%. A distância técnica é mensurável e imensa, mas o abismo conceitual de sustentabilidade não tem como ser avaliado. Estamos atrasados, e muito, em relação a utilização da energia solar. O que afasta a popularização do sistema é o alto custo de instalação no Brasil. Empresas especializadas estimam que uma residência simples com quatro moradores precisaria de investimentos de quase R$ 20 mil para equipar a habitação com o modelo solar, o que, convenhamos, é totalmente inacessível para a classe média brasileira.
No Alto Tietê, por suas características geológicas e climáticas, a disseminação do uso da energia solar poderia ser totalmente favorável, porém, além do custo elevado, também há a forte concorrência da energia hídrica, beneficiada pela existência de um cinturão de barragens que facilita e barateia as fontes de corrente elétrica. Os setores Industrial e Agrícola, proeminentes na região, teriam certamente benefícios com a utilização da energia sustentável, além das próprias habitações. O que falta, como uma unanimidade consciencial, é o incentivo governamental para que as tendências vinguem no país. O planeta aguarda.
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