Cidades
Publicada em 12/08/2019 - 21h58min

Thamires Marcelino*
Canudos de plástico

Mogianos cobram fiscalização da lei

A fiscalização sobre a lei municipal que proíbe o uso dos canudos plásticos em quaisquer estabelecimentos comerciais de Mogi das Cruzes vem gerando críticas e dúvidas entre os comerciantes e a população mogiana

A fiscalização sobre a lei municipal que proíbe o uso dos canudos plásticos em quaisquer estabelecimentos comerciais de Mogi das Cruzes vem gerando críticas e dúvidas entre os comerciantes e a população mogiana. A Reportagem foi até as ruas do centro da cidade e, de acordo com os entrevistados, a Prefeitura não está fiscalizando os comércios.
Os clientes afirmaram que continuam recebendo canudos plásticos em lanchonetes e restaurantes. No entanto, a Secretaria de Segurança informou que realiza fiscalizações e orientações sobre a lei municipal aos comerciantes diariamente dentro das ações rotineiras do Departamento de Fiscalização de Posturas.
O proprietário de uma lanchonete, Enézio Pedro da Silva, de 58 anos, afirmou que as equipes de fiscalização ainda não visitaram seu estabelecimento. "Nós deixamos de utilizar os canudos plásticos desde que a lei foi instaurada aqui em Mogi e, por enquanto, ninguém veio verificar a minha lanchonete. Acho que a fiscalização está bem fraca, já que outras pessoas conhecidas também disseram que não receberam as vistorias", disse.
Também dona de uma lanchonete, a Márcia Tanaka, 41, contou que ainda vê os canudos plásticos em alguns restaurantes de Mogi. "Nós não utilizamos os canudos de plástico há um bom tempo aqui no comércio, antes mesmo da implantação da lei. Porém, mesmo com a instauração, ninguém veio aqui fiscalizar se estamos cumprindo as normas. Além disso, eu costumo ver estes canudos em estabelecimentos que frequento", acrescentou.
Na visão de alguns fregueses, a fiscalização também parece estar enfraquecida. "Eu ainda não fui em nenhuma lanchonete que estivesse usando os biodegradáveis aqui em Mogi. Por enquanto, ainda estou recebendo os de plástico mesmo. Além disso, muitos copos, pratos e garfos ainda são de plástico também, o que não ajuda muito o meio ambiente", destacou a auxiliar de administração Bruna Marcondes, 23.
Notificações
Segundo a Prefeitura de Mogi, já foram emitidas 96 notificações a estabelecimentos comerciais pelo descumprimento da legislação. 
*Texto supervisionado pelo editor..
  • Silva Filho: 'Acho que a fiscalização está fraca, não passaram nos comércios'
  • Bruna: 'Ainda não fui em lanchonete que estivesse usando os biodegradáveis'

Fabricantes de canudo mudam composição

Para que o prejuízo com a nova legislação não fosse alto para os fornecedores de canudos plásticos, a indústria encontrou uma forma dinâmica de ficar em dia com as leis

Para que o prejuízo com a nova legislação não fosse alto para os fornecedores de canudos plásticos, a indústria encontrou uma forma dinâmica de ficar em dia com as leis. É o que explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Material Plástico de Suzano, Edison Alves da Silva. "Além dos canudos de papel, existem os canudos que visualmente são muito parecidos com os de plásticos. Neles, existe a adição de um composto que quebra as partículas do polipropileno e, por isso, tem o tempo de decomposição muito menor", explicou.
O polipropileno é o composto principal do plástico, que é um dos causadores da grande demora na decomposição dos produtos.  "O mesmo aconteceu com as sacolas plásticas há anos atrás quando precisaram ser substituídas pelas biodegradáveis, que têm o mesmo aditivo dos novos canudos", completou o presidente. Além disso, Silva afirmou que tanto as sacolas quanto os canudos comuns demoram cerca de 100 anos para se decompor, já os de materiais biodegradáveis levam em média apenas dois anos.
De acordo com o presidente, a decisão em adicionar este composto foi a forma de evitar prejuízos para a indústria, considerando que algumas fábricas faziam a produção e o fornecimento apenas de canudos plásticos e, com a nova legislação, teriam fechado as portas. (T.M.)
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