Editorial
Publicada em 11/07/2019 - 23h38min

Douglas Pires

E se não chover?

Ao contrário do martírio vivido entre os anos de 2014 e 2015, marcado pelo auge da crise hídrica no Estado de São Paulo, o Alto Tietê vive, atualmente, uma situação confortável em relação aos níveis de armazenamento de água. Em pleno mês de julho, época considerada de estiagem, o nível do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) - composto por cinco reservatórios - Taiaçupeba, Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba e Jundiaí, ontem, estava em 97,8%. Na mesma data, em 2014, por exemplo, o sistema apresentava 24% de armazenamento e no ano seguinte, 2015, a situação era ainda pior: 20%. Uma situação totalmente oposta do que vivemos hoje.
No entanto, o cenário atual, mesmo mostrando números positivos, não deve ser motivo para que cruzemos os braços. É preciso criar estudos, mecanismos, engenharias e políticas públicas eficazes. Alguns países têm usado a técnica da dessalinização da água do mar. A alternativa já foi colocada em prática na Austrália e na Europa. Não se trata de um mecanismo barato e é bem provável que não vingue no Brasil.
Outra estratégia que pode ser levada em conta é a transposição de rios, criando canais para que seja feito o desvio de curso. Por outro lado, na época da seca, ambientalistas sugeriram uma saída mais simples: a criação de matas ciliares às margens de rios, já que, segundo eles, a vegetação funcionaria como uma "embalagem" protegendo e mantendo os rios em níveis satisfatórios.
Na época da seca, um estudo da ONG SOS Mata Atlântica e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) revelou que a falta de água nas represas do Estado de São Paulo poderia estar diretamente ligada ao desmatamento da mata nativa situada no entorno desses corpos d'água. Um exemplo usado é a situação de um reservatório antigo de Salesópolis. A represa era de uma antiga usina no município. O reservatório, que é protegido pela mata nativa e fica a cerca de dez quilômetros da nascente do rio Tietê, não sofreu os impactos da seca naquela época.
Estamos com os reservatórios cheios agora, graças às chuvas abundantes dos últimos meses. E se não chover no próximo verão? Vamos voltar a viver como há cinco anos?
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